Desejo não é pecado

“Amor é o desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado.” (*Robert Frost)
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eu gozo


Eu gozo, não só pela satisfação ou pelo alívio, mas principalmente pelo contato físico. Eu gozo, não só por causa do prazer, mas sim pela sensação de plenitude que o exercício da sexualidade me causa. Eu gozo principalmente por causa da troca de energia, pela aliança e enlace dos corpos e pelo estabelecimento de uma relação independente de sua duração, mas com certeza por causa da atração e pela afinidade.
Eu gozo pelo charme e a sedução do antes. Eu gozo pela sublimação do domínio e da dominação do durante. Eu gozo pelo equilíbrio e a paz do depois, em que se tem a nítida sensação de que o sofrimento e a inquietude estão finalmente ausentes. Eu gozo porque quero me sentir misturado com a minha parceira.Tanto que nos confundimos um com o outro antes de se levantar da cama.Como se aqueles momentos fossem durar uma eternidade.
Eu gozo, até mesmo sem sexo, sem a necessidade da penetração, um orgasmo intenso mesmo sem ejaculação, porque há regozijo sublime ao ouvir uma boa música, ao comer chocolate, ao escrever um texto, ao receber um carinho, um afago, ou ao ler um bom livro. Eu gozo só pelo fato de que um acontecimento esteja ao mesmo tempo confortando tanto meu corpo como a minha mente.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tire meu fôlego

Jonas tem esse dom, o de transformar qualquer moça em musa, o de “monalisar”  a mulher objeto de sua paixão,como se amar fosse um ato de pintura, e sentir fosse um fato de escultura, porque afinal para ele em qualquer parte, todo amor é uma obra de arte. Porque para os românticos tudo aquilo que não existe para permitir que se ame, deve ser inventado.
E não poderia ter sido diferente a relação dele com Alice, porque começou parecida a uma amizade, embora sempre tivessem deixado muito claro que havia um desejo bem entranhado em suas gentilezas. A ele nunca importou receber a alcunha de “garanhão” perante os outros homens. Muito pelo contrário, a sua discrição sempre o fez um Don Juan silencioso, de segredos apenas conhecidos pelas mulheres que com ele partilharam o prazer.
A vontade de Jonas era mesmo que Alice nunca encontrasse noutro homem a capacidade que ele tinha de fazê-la feliz em qualquer posição e em poucos minutos. Sempre se importou muito mais com o prazer delas que com o dele próprio. A sua satisfação sempre foi atendida dessa maneira. O gozo dela era o gozo dele também. Por isso memorizou o mapa de seu corpo e a languidez de seus recantos. Alice era branca como a luz do luar em noite quente.
Conheceu-a ali, enquanto caminhava pela orla vislumbrando as águas cálidas e esverdeadas da baia, ela caminhava num daqueles vestidos de verão coloridos e longos, sandálias rasteiras nos pés e olhar distante. Ele de bermudas, descalço pisando na areia e sem camisa. O primeiro olhar já disse tudo pra ele. Ficou interessado na moça pela forma como seus cabelos balançavam. O perfume do banho que ela tinha tomado chegou a seu nariz, invadiu seus pulmões. Chegou mais perto e puxou conversa. Disse qualquer coisa sobre o calor e a brisa que soprava do mar.Ela sorriu, disse qualquer coisa que sim e outra coisa que não.Conversaram mais, tomaram sorvete, comeram pastel.Sentaram num banco, sorriram bastante um pro outro, falaram mais sobre o calor, o trabalho, a lua, o aquecimento global, as conchas.Depois se despediram.
Mas tornaram a se encontrar no dia seguinte quando tudo era uma mistura de acanhamento, medo e fascinação. Um jogo delicioso de avanços e recuos. Quando a sedução se inicia já não é mais possível retornar. Alice fez charme, Jonas afagou seus cabelos e tocou de leve sua face que ruborizada a entregou para seus braços. O primeiro beijo foi como uma explosão, depois foi suave depois voltou a ser explosão de novo. Ela segurou firme nas costas dele e ele queria tocar as pontas dos seios dela a qualquer custo. Não fizeram amor naquela noite, mas tudo mostrava que aconteceria outro dia.
Começaram a sair juntos para bares e toda vez quando a levava pra casa, antes dela entrar ficavam se beijando, se beijando muito dentro do carro até embaçar os vidros e os dois ficarem banhados de suor.Ela pulava pro banco do motorista, se jogava em cima dele, ficavam se roçando como se tivessem voltado a adolescência.Era um desejo ávido e ao mesmo tempo dócil.Alice beijava Jonas como se quisesse tirar-lhe o fôlego.Jonas gostava dessa falta de ar.Olhava para ela como se quisesse engolir a ostra escondida dentro de uma concha dourada.Fizeram amor só uma vez, foi quando Jonas exercitou sua necessidade de ser manso ou feroz, doce ou atroz.Alice gozou três vezes.Jonas não gozou nenhuma, não dentro dela, mas só fora.
Depois disso Alice achou que eles não tinham nada haver um com o outro e foi embora.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Brincadeiras Proibidas

Uma relação sexual entre duas pessoas é simples, basta que os dois tenham vontade e desejo suficiente que ela naturalmente se consuma, agora sexo, sexo é complexo. Não que ele seja complicado, mas as aventuras do corpo contêm muito mais do que só penetração, são corpos, almas, medos, significados, posições, provas, descobrimento, paixões, malícias, fetiches, tensões, delicadezas, resultados, relaxamentos, canções, submissões, saúde, dominações, ferocidade e sagacidade, carinho e caricia, orgulho, mistério maternal, leite seminal, todas as esperanças, todas as frustrações, benefícios, doações e concessões e mais um milhão de coisas. Sempre considerei que em matéria de sexo o que é verdadeiramente obsceno é a hipocrisia das pessoas e o seu falso pudor. A vulgaridade sim é algo que banaliza o desejo, mas é possível, sem traumas ou grandes repressões, ter uma sexualidade satisfatória e saudável com as “brincadeiras proibidas”.
Como aquela em que nos agarramos no banco de trás do taxi, sem mesmo se importar com o motorista, e você se abaixou fingindo que alguma coisa tinha caído no assoalho do carro,abriu meu zíper e me fez feliz por pelo menos cinco minutos. Ou aquela em que nos pegamos na sacada do seu apartamento e você, com seu instinto exibicionista, ficou peladinha mostrando seus belos seios alabastrinos, suas coxas grossas e seu bumbum empinado para todos os voyeurs dessa cidade.Ou ainda, a melhor de todas, aquela em que você em roupas muito provocantes, desfilou pelo supermercado rebolando e provocando todos os consumidores.E eu seu macho confiante, seu homem viril, seu dono e seu amante, escondido e orgulhoso, assistia o desejo deles se resumir a comê-la apenas com os olhos porque quem possui você mesmo, sou eu, sou eu, sou eu. Ah o orgasmo, porque palavra tão feia para um momento tão gostoso? Bom mesmo é chamar esse momento de êxtase de gozo!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mulher, obra de arte

Sexo pra mim também é uma forma de fazer arte, porque considero a mulher uma obra de arte, uma escultura viva que ao mesmo tempo em que é misteriosa também está ávida para ser descoberta. Um corpo feito de entalhes e todos aqueles detalhes que nos fascinam na medida certa. Os seios de qualquer tamanho, o bumbum de qualquer formato, o balançar em qualquer ritmo dos braços, enfim todas aquelas curvas e subidas, superfícies por onde deslizamos e túneis por onde somos engolidos e depois cuspidos aos bagaços.
Ao se enfiar nesses buracos, graças ao teu insaciável “quero”, antes que você pisque os olhos nas escuridões, confuso se perguntará: “Onde estão as minhas vontades?”
É só delas aquela maravilhosa energia feminina que suaviza e te perfuma a vida, e que no mesmo espaço permite, como se fosse à coisa mais normal do mundo, o convívio não - pacifico de estranhas ambigüidades, como a impaciência de mãos dadas com a sensibilidade. É só delas aquele mesmo corpo lânguido que sente profanamente um prazer intenso quando goza, e que também poderá ser divinamente o berço de sua maternidade. Numa mulher como numa casa, a mesma porta que é feita de entrada, também será usada como saída.
A mulher é o seu corpo e as suas múltiplas vontades, tem horas que elas querem ser protegidas por um bravo herói, em outras devoradas pelo mais cruel e terrível lobo da floresta. Por isso que tem mulher que é boa e mulher que não presta, tudo depende das personalidades. É de acordo com o que elas pensam que tudo mais se define em suas vidas. E nas nossas também, companheiras. São decisões que vão da profissão que escolhem ao homem com quem se casam, do que sai pela boca ao que entra pelos olhos, de como cuidam do corpo a como vão cuidar da cabeça, se vão ficar por cima ou se gostam de ficar por baixo, da quantidade de filhos que vão ter a se vão ser fiéis ou não, do que gostam e do que não gostam de comer, do tipo de sapato que calçam ao comprimento da saia que usam.
Homens e meninos saibam! Não é pelo rosto, tamanho das “ancas” ou através de qualquer outra superficialidade que vocês saberão quem elas são ou o que elas querem. “Muié” tem dia que é fruta docinha igualzinha manga, mas têm outros em que é fera, bicho esquisito que todo mês sangra, com uma mão faz carinho, mas com a boca te arranca pedaçinho por pedaçinho. Ou elas te levantam e te apóiam ou terminam sugando devagarzinho todo seu mel. E isso não é privilégio nem meu e nem seu. Não tem saída, tem que conviver pra saber. E se sobreviver a elas, faça como eu que falo sempre.
Toda obra de arte é um quadrado mágico porque estimula o intelecto, a sensibilidade, a emoção e a libido. É assim que acontece quando um homem ama uma mulher, nessa mistura de corpo e personalidades é que a arte acontece, ele quer saber tudo sobre ela, quer sentir o que ela sente e que ela o faça sentir diferente. Por mais “cabra macho” que o camarada for, pode ter certeza que um dia ele também chora por amor. E de tanto desejo e tesão que elas nos provocam, com todo respeito às outras opções sexuais, mas mulher é bom demais!