Desejo não é pecado

“Amor é o desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado.” (*Robert Frost)
Mostrando postagens com marcador desejo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desejo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de março de 2017

Caçadora

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

)Espaço(

Entre nós
nenhum espaço será aceito
alguns centímetros ou mil quilômetros
já é defeito
e de nada vale
se distante ou ao lado

Porque se não for rente
colado, unido, preso
e agarrado
essa distância
será para o nosso desejo
rigorosamente considerada
como se nossos corpos
um do outro estivessem

totalmente separados

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Despida, desnuda, pelada

Nua não é pelada
enquanto a boca
fica calada
deixa que o corpo fala

Carne crua
pele assada
se o corpo for branco
deixo ele moreno

Essa sua falta de juízo
é vertigem do pecado
tontura de veneno

Esse calor
que lhe sobe pelos meios
te molham o instinto
escorre pelos seios

Despida na entrada
não é desnuda na entranha
mulher em parcelas

minha conhecida estranha

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O amor é muito maior

Enquanto o desejo mostra os seios, o amor expõe o coração, porque o Tesão é grande, a atração física é enorme e o prazer é uma deliciosa tentação, mas o amor é muito maior...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Orgasticamente

Quem realmente neste mundo pode dizer que é feliz? Talvez ninguém. Felicidade no mundo material é sinônimo de prazer e não se sente prazer o tempo todo. O sofrimento está presente na vida de todos nós independentemente do quão sejamos “bem sucedidos”. Porque não existe dinheiro no mundo que consiga nos precaver de todas formas de sofrimento que existem ou de eliminar os aspectos mais insuportáveis da nossa existência. Do outro lado, resta aos desafortunados pensar que são felizes simplesmente porque sobrevivem ao pior.
A maior fonte de prazer do ser humano é o desejo sexual. E o maior prazer que o ser humano experimenta é o orgasmo. Como a sexualidade foi despertada de forma imprópria na espécie humana, normalmente com as práticas masturbatórias, muitos componentes de ansiedade e de rapidez da experiência orgástica prevaleceram, condicionando a experiência de orgasmo a situações antagônicas de medo, ansiedade e insegurança. Os fatores psicológicos foram determinantes em muitas situações, desqualificando a descoberta do prazer sexual, situando-a como algo sujo, proibido, prevaricado, indigno; feito nos porões escuros e subterrâneos da alma, sem que ninguém possa saber, como um ato de isolamento e de pecado.

Jamais uma pessoa que se sinta feliz desejou mal a alguém. Assim, cada vez que alguém se descobre e percorre o caminho dos seus sonhos, o mundo se torna mais bonito e mais solidário.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eu gozo


Eu gozo, não só pela satisfação ou pelo alívio, mas principalmente pelo contato físico. Eu gozo, não só por causa do prazer, mas sim pela sensação de plenitude que o exercício da sexualidade me causa. Eu gozo principalmente por causa da troca de energia, pela aliança e enlace dos corpos e pelo estabelecimento de uma relação independente de sua duração, mas com certeza por causa da atração e pela afinidade.
Eu gozo pelo charme e a sedução do antes. Eu gozo pela sublimação do domínio e da dominação do durante. Eu gozo pelo equilíbrio e a paz do depois, em que se tem a nítida sensação de que o sofrimento e a inquietude estão finalmente ausentes. Eu gozo porque quero me sentir misturado com a minha parceira.Tanto que nos confundimos um com o outro antes de se levantar da cama.Como se aqueles momentos fossem durar uma eternidade.
Eu gozo, até mesmo sem sexo, sem a necessidade da penetração, um orgasmo intenso mesmo sem ejaculação, porque há regozijo sublime ao ouvir uma boa música, ao comer chocolate, ao escrever um texto, ao receber um carinho, um afago, ou ao ler um bom livro. Eu gozo só pelo fato de que um acontecimento esteja ao mesmo tempo confortando tanto meu corpo como a minha mente.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nosso reino


Ela, líquida, líquida, líquida, eu, sólido, entre nós delicadamente o tantra fluindo do meu corpo para o corpo dela: “Se você não for casado, eu me casaria com você”, sentíamos através de nossos próprios sentidos uma aliança, uma ligação, um sintoma do encontro  entre duas partículas estelares, finalmente juntos, cintilávamos e em festa nos envolvendo como num abraço de duas luzes infinitas. “Se não for velho, gostaria de envelhecer com você”, na viagem da minha vida muitos descobrimentos, mas até então nenhum encontro, até que ela, esfíngica, surgiu pra ser decifrada. “Se já for velho gostaria de rejuvenescer com você”, nós dois fugitivos, nos encontrando atrevidos, assustados e ao mesmo tempo calmos, um morando nos braços do outro, corajosos, radiantes, valentes, fortes e indestrutíveis. Nós dois, desesperadamente sussurrando palavras de desejo, ousadas, profundas, porque primeiro nos possuímos pelos ouvidos, depois pelas mãos, até nos despirmos tendo a lua como iluminação. Na cidade eu fui condenado à prisão perpétua, ela em seu reino a pena de morte. Nunca mais voltaremos pra lá, mudaremos nossa sorte fundando uma nova nação.
E juntos, no alto daquela fortaleza abandonada de pedras, nos amávamos, eu beijando sua pele, ora carinhosamente, ora faminto, me atrevendo por todos os seus recantos como se eles fossem um território selvagem e desconhecido, cavalgávamos juntos um o corpo do outro, ela sentido meus músculos roçando seus seios, eu sentindo entre os dedos o mel que escorre de seu corpo quente e sedento pela fala, pelo falo, pelo meu poder masculino que tanto lhe fascina.
A cidade distante não sabia que do alto daquela fortaleza em ruínas, estamos ardendo em chamas, quase desmaiados de exaustos, enlouquecidos pela busca do gozo, como se aquele fosse nosso último orgasmo, perdendo os sentidos sem saber se já estávamos mortos ou se ainda permanecíamos vivos. Furiosos como se fossemos ondas fustigando o caís e calmos como se fossemos duas nuvens carregadas de água e de relâmpago, que se encontram para finalmente derramar chuvas sem tempestade. Ela refletida em meus olhos, de tão iguais éramos espelhos,e ela voava, voava, voava e depois caia sem jamais encontrar o chão. Eu ao seu lado subindo e descendo, ela águia e eu o jaguar, ela princesa da lua, eu o príncipe das nuvens, com nossas idéias poderíamos revolucionar o mundo, mudar o destino da cidade que nos condenou e alcançar o paraíso.
Show Me Heaven
Mostre-me o Paraíso
Maria McKee

Lá vai você
Um brilho emocionado em seus olhos
Ei querido, venha para ao meu lado
Feche-os firmemente
Eu não estou negando
Nós estávamos voando acima de tudo
Segurando minha mão, não me deixe cair.
Você tem aquela graça surpreendente
Eu nunca senti dessa maneira
Oh, mostre-me o paraíso, me proteja.
Deixe-me ofegante
Oh, mostre-me o paraíso, querido
Aqui vou eu
Eu estou tremendo apenas como uma brisa
Ei querido, eu preciso da sua mão para me firmar
Eu não estou negando
Estou tão apavorada quanto você
Embora eu mal esteja tocando em você
Eu tenho arrepios em baixo de minha espinha
E isso é divino
Oh, mostre-me o paraíso...
Se você souber como é
Sonhar um sonho
Querido, me segure firmemente.
E deixe acontecer...


domingo, 20 de março de 2011

Que ninguém durma


Que ninguém durma,
enquanto ela correr descalça pela floresta sob a luz da Lua
roçando a pele nos troncos das árvores,
prendendo os cabelos nos galhos secos
Que ninguém durma,
enquanto eu escrever o que sinto por ela
como se pudesse através das palavras
expressar os sentimentos mais profundos do meu coração

Que ninguém durma,
quando ela gritar o seu desejo preso no peito,
arranhando as coxas montando em troncos
e deixando seu sangue banhar a terra.

Que ninguém durma,
quando eu abrir as janelas dos meus olhos
e como um homem com o sol brilhando em si
eu possa engravidar de luz a minha amada mulher-lua

Que ninguém durma,
quando eu, cometa, cruzar a sua constelação
fazendo amor com os seu satélites
e alterar pra sempre sua órbita

Que ninguém durma,
enquanto ela esfregar os seios nas pedras úmidas
chupar os gomos da fruta rija
engolindo a seiva quente que de dentro jorra.

Que ninguém durma,
quando ela rolar nua na grama abraçada a caules
ferindo o ventre e esfolando as mãos
enterrando os dedos na lama macia.

Que ninguém durma,
quando eu com as mãos
fingir que os olhos também podem sentir
o meu nome é estrada, o dela é caminho

Que ninguém durma,
quando ela explodir de prazer ao nascer do segundo sol
dividindo-se ao meio ao ser penetrada por seus raios
transformando seu corpo em pura energia.
Que ninguém durma
nas noites em que sob a luz da Lua
queimamos na espera do primeiro raio Sol.

Que nessas noites ninguém durma! 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cio da fera


A mulher é mais um das forças da natureza, torna-se a quinta estação da terra quando sente em suas veias o anseio irrefreável de se dar a alguém. Primavera, flores no cabelo, outono, fruta madura e sumarenta, inverno, fogo queimando debaixo do edredom, Verão, transparência íntima das suas curvas vertiginosas. A quinta estação é o seu desejo ancestral ardendo, nada é capaz de detê-la na sua ânsia de amar e ser amada impiedosamente, com toda essa energia acumulada, ela explode condensando todos os outros estados do tempo, do tempo chuva ou sol ou do tempo anos e horas, dentro de si. A mulher é um portal para o homem, para levá-lo a outra dimensão.
Porque qualquer homem, mesmo o mais simples diante de tanto poder, torna-se um guerreiro, um general de espada em riste, um semideus que com seus raios é capaz de derrubar as muralhas do castelo das errâncias ou de destronar os exércitos de sua solidão, qualquer homem comum diante do cio dessa fera ganha a força de mil Hércules para levá-la ao êxtase profundo de um gozo capaz de derreter qualquer galáxia. E uma mulher satisfeita tem a mesma fidelidade dos pássaros migradores, pois voltará sempre voando para escapar do frio e se aquecer na chama do coração desse homem, simples e comum, que ela transformou em herói.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Janelas indiscretas

Do apartamento dele dá pra ver tudo que acontece no apartamento dela. O seu melhor programa de sábado a noite é vê-la se movimentando como voyeur nato que é.Apaga as luzes da sala, pega o binóculo e se senta numa poltrona que comprou exclusivamente para isso.E ela anda pelo apartamento à noite no verão sufocante. Parece que não consegue dormir, talvez porque sua calma queima, ou será ela a queimar os lençóis? Prende os cabelos num rabo de cavalo e refresca a nuca. Ele ajeita-se melhor na poltrona. Ela vai ao quarto, escancara a janela e puxa as cortinas. Respira fundo procurando um frescor, mas o ar está parado. O ventilador de teto em sua sala deve estar soprando o hálito do dragão. Ela vai à cozinha, abre a geladeira e se esfria rodando o próprio corpo ente a porta e as prateleiras, na esperança de se sentir melhor. Pega a garrafa d'água e passa pelo rosto, pelo pulso, pelo peito. Nem o chão ladrilhado parece estar fresco. Seus pés descalços sentem o morno do chão castigado pelo sol durante o dia e que agora guarda a lembrança desse dia de verão. Ele se levanta rápido para buscar um copo de coca-cola na geladeira, também sentindo o calor escaldante daquela noite que parecia ter ao invés da lua brilhando no céu, um pequeno sol cintilando e esquentando a cidade.
Na sala, ela abre a porta de vidro que dá para a varanda, onde se apóia e espera pelo movimento dos galhos da árvore ao lado do seu apartamento, que não vem. Suas coxas estão suadas e ela se lembra de uma outra noite, em que suas coxas ficaram assim, quentes e molhadas, mas não era verão e ela não estava sozinha. Ela sente a sensualidade invadir seu pensamento. Anda até a área de serviço, fica olhando as estrelas no céu. Resolve se molhar na torneira do tanque. Ali a água está mais fresca. Ele já encontrou com ela pessoalmente outras vezes.Na padaria, no supermercado.E ela nem desconfia.Já trocaram até um oi na rua outro dia.
Ela coloca a cabeça debaixo da torneira molhando os cabelos, o rosto, o pescoço. Depois sacode os cabelos deixando a água escorrer pelo corpo. Sua camisola fica encharcada. Ela fica parada por alguns minutos saboreando o momento, depois arranca a roupa e joga-a dentro do tanque. Ele quase vai ao êxtase, com os olhos grudados no binóculo saboreia cada pedaço de seu corpo e sente o gozo do voyeur. Olhar pelo prazer de ver.
E ela então nua e molhada  se deita na cama e finalmente dorme.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias - Parte XIX


O arquiteto sobre a psicóloga

Eu gosto das suas tranças, os anos passam e eu ainda me lembro da primeira vez que eu a vi com aquelas grandes tranças loiras, dançando reggae, ainda tão menina, mas já tão cheia de si.Não sei em que ponto nós nos deixamos de amar, o tempo deveria ter um efeito diferente desse de consumir, essa coisa terrível que é o desgastar.Mas eu ainda a admiro, ainda olho pra ela e consigo sentir uma sensação diferente.Sabe, inventei uma coluna que geralmente uso em jardins de invernos, é feita de concreto, é como uma transa estilizada por onde a água deve escorrer quando chove.Meus clientes adoram essa minha idéia.Ela é inspirada nas tranças dela.
Quando ela ficou grávida da Clarice estava linda, eu adorava ficar olhando pra ela sem que ela percebesse, dizia pra mim mesmo, “poxa isso tudo é meu?” E quando ela percebia, me falava com um daqueles mil sorrisos que ela tem “para de ficar me olhando!”, mas era um “para” que queria dizer mesmo é “continua me olhando e nunca mais pare!”. E é isso que eu faço até hoje, até hoje eu ainda continuo olhando para minha esposa sem parar. Mesmo quando ela do meu lado está usando seus inefáveis óculos escuros que escondem aqueles grandes olhos italianos. Eu teria sido um imbecil se não tivesse me casado com ela.
Sabe a minha profissão é algo que eu gosto muito, pensar que faço parte da vidas das pessoas, que desenho suas casas, o lugar onde muitas delas vão viver para a vida toda, puxa isso é algo maravilhoso pra mim, é o que me faz encarar cada dia como se fosse um desafio.Ser arquiteto é uma mistura de arte com obrigação, obrigação de crescer profissionalmente, de construir espaços para o convívio particular ou público e de construir uma sociedade feliz.Ou pelo menos tentar.Assim como faz a minha esposa, ela tenta fazer as pessoas se construírem melhor, minha esposa, a psicóloga, uma mulher incrível, mas que já não sei se amo mais.Eu me culpo, rapaz, como eu me culpo por te deixado de amá-la, mas pelo menos me congratulo quando sinto que a admiro.E acredito que vou admirá-la mesmo se nos separarmos.Toda vez que descemos juntos para a Casa de Maresias eu fico olhando pra ela e pergunto: “No que você está pensando?” e quase sempre ela me diz: nada.E eu sempre soube que não era nada, sempre soube que ela estava pensando na gente, desde o começo eu sempre senti ela pensando na gente.E não é fácil você construir uma família e sentir que sua esposa talvez não seja feliz com você.
Eu dei minhas mancadas, eu a traí algumas vezes. Tive casos com secretárias e casos com mulheres do meu meio, arquitetas e engenheiras da minha companhia.E minha esposa, a psicóloga, deve ter descoberto algum desses afairs.Mas um casamento que chega a quase duas décadas, pelo menos o nosso, não teria sobrevivido de outra maneira.Eu não saberia bancar o bonzinho o tempo todo, tem horas que preciso dar essas escorregadas.Já perdi minha aliança uma vez num quarto de motel cafona da Vila Mariana, um motel com quartos temáticos, cama giratória e espelhos por todos os lados.A mulher era uma arquiteta, casada também.Flertávamos desde quando ainda éramos jovens recém-formados.Uma noite, já lá pelas tantas, cansados e trabalhando no mesmo projeto saímos pra jantar e relaxar.  Aí aconteceu. Já tive que passar uma semana sem ficar sem camisa em casa por causa dos arranhões que ganhei de uma secretária. Ela tinha fetiche, queria transar na prancheta, queria transar em cima da mesa, no chão, dentro dos armários, era um furacão. Foi um caso que durou alguns meses.Paramos só quando eu comecei a ficar preocupado com as atitudes dela, apaixonada ela podia querer me prejudicar.Então fizemos um acordo, eu a demitiria e daria uma indenização.Ela disse, garota ainda, você não pode comprar o meu amor, eu respondi que não poderia mesmo, mas a convenci que seria melhor para nós dois daquele jeito, porque eu não largaria minha família por causa dela.
Meus casos são como anexos, variações do meu desejo, no meu conjunto de valores a minha infidelidade não é uma traição, não chego a amar essas fêmeas, elas são isso fêmeas, entidades femininas com um nome. Apenas sacio minha fome em corpos voluptuosos de mulheres que se oferecem como frutas sumarentas, por isso mordo suas cascas, preciso comê-las as polpas, chupá-las até o bagaço, mas sempre cuspo fora as suas sementes.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias - Capitulo VIII


Clarice

Com a descoberta de sua sexualidade Clarice resolve explorar suas possibilidades de sedução. E a sua proximidade com o pai e o seu fascínio por ele a fazem querer seduzir um homem da mesma idade que ele. Num das festas dadas pelos pais na casa de Maresias, ela bebe sedutoramente do copo de um homem mais velho para sentir o gosto do que ele bebe. Mordia os lábios olhando pra ele, se insinuava andando pra lá e pra cá, passando despercebida e sorrindo juvenilmente pros pais para que eles não desconfiassem de suas intenções. Usa, inconscientemente, um artifício mágico que muita mulher experiente sequer conhece, levanta os braços e exibe as axilas raspadas. O amigo do pai gosta, enquanto bebericava seu uísque , disfarçadamente inicia uma aproximação com ela.Sua esposa já está bêbada e conversa animadamente com a psicóloga e com outra amiga do casal.O arquiteto está na outra varanda conversando com outro amigo, provavelmente sobre a construção de algum dos prédios que está envolvido. Ninguém percebe mais os dois flertam. Eles se afastam discretamente da sala, vão para a varanda da frente.O homem mais velho parece excitado e Clarice gosta do que sente, daquele perigo , daquela adrenalina de atrair um homem mais velho.Os dois conversam, ela de saia curta se senta de pernas cruzadas na poltrona revelando os joelhos redondinhos de curvas mais doces que pêssegos maduros.E o homem mais velho foi ficando maluco com aquela boca rosa, com os cabelos que pareciam um milharam ondulante quando o vento vindo da praia batia.Foi buscar mais gelo, certificou-se que ninguém estava prestando atenção neles, mas gelou quando notou um certo olhar da esposa que mesmo bêbada parecia querer saber o que ele estava fazendo. – Meu amor vou ali levar gelo para todos. Disse fazendo força para parecer natural e não despertar desconfianças.A psicóloga nem sonhava que a filha estava na varanda da frente esperando pelo homem mais velho.Ele voltou com mais gelo, deu mais alguns golinhos pra ela e marcou um encontro com Clarice para mais tarde, na praia, quando todos estivessem dormindo, porque naquele momento era perigoso demais.Mesmo assim ela, safadinha, segurou num dos braços dele sedutoramente, como uma onça filhote, como uma cria de águia que estava aprendendo a caçar, - não quer nem experimentar antes?. Um misto de medo e loucura percorreu a espinha do homem mais velho, que não pensou duas vezes e beijou a boca de Clarice.Na pontinha da língua a menina estava aprendendo como se filtra o mel que embebedava aquele velho colibri, como se destila um veneno para enlouquecer aquele vampiro que pensava que beijando uma virgem estava tornando seu corpo mais jovem e sua masculinidade ainda mais viril.O beijo foi rápido e intenso, deixou o homem mais velho atordoado e trêmulo.Clarice sorria, achava graça na reação dele.Provou pela primeira vez aquela sensação louca que reúne em si nojo e desejo, desprezo e admiração. O homem mais velho, assustado, logo foi ao encontro dos outros na outra varanda, para se safar e para não despertar suspeitas.O abate da ninfeta, da Lolita da casa de Maresias ficava pra mais tarde.
Depois que todos dormiram Clarice pulou a janela, ele saiu de fininho, a mulher bêbada roncava no quarto, ele seguia seu instinto de macho confiante. A ninfeta Clarice já estava sentada na areia, num ponto da praia onde já tinha estado com garotos, e fingiu não perceber a aproximação do homem mais velho, o vampiro avelhantado de cabelos brancos, barba mal feita e com cheiro de cigarro na boca.E ele lhe mordeu o pescoço, ela ficou arrepiada de virar os olhos, ele foi descendo pelas costas, mordia de ficar marca, quase tira um pedaço dela.Clarice parecia gostar daquela selvageria porque só estava acostumada com os garotos ainda tímidos e inexperientes que pouco sabiam daquela loucura toda de homem mais velho.Rolavam na areia, se roçando e quase se engolindo.Clarice, a ninfeta da casa de Maresias, ficava com os olhos semi-abertos, a boa entreaberta respirava em gemidos como se fosse uma cadelinha no primeiro cio, e o homem mais velho parecia estar se refestelando com aquela carne nova, aquela cabrita que ele devorava em banquete, e uma de suas sobrancelhas arqueava de perversidade, como se ele fosse um lobo-mau devorando a chapeuzinho vermelho. Ele, colibri encanecido, mordia o ombro dela, babava em seu pescoço, sua nuca tinha a tinta nova raspada pela barba mal feita dele, o homem mais velho. Ele se sentiu poderoso ao ver o corpo nu da ninfeta, queria possuí-la, queria beber de seu corpo a juventude.
E ela deixou o homem mais velho sugar seu corpo todo, principalmente os seios pelos quais ele tinha fixação, mas ela não se entregou totalmente a ele, não quis perder a virgindade com aquele bode velho, queria é só diversão, o homem mais velho, o vampiro de cabelos brancos, o colibri de asas cansadas, ficou zangado, mas ela retrucou imediatamente, na verdade já tinha um plano para escapar de suas garras mesmo antes, se você forçar eu grito e todo mundo vai ouvir.Com medo, o vampiro homem, o bode mais velho, se conformou em gozar nas coxas dela.E o liquido dele escorreu viscoso pelas pernas dela.Ela lavou tudo no mar e voltou para a casa pulando de volta janela do quarto onde ainda haviam bichinhos de pelúcia.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Intimamente


Por mais que você tente disfarçar tudo em você quer se revelar.E eu reparo em você, em cada detalhe, em todas as nuances e meandros, em todas as curvas e inflexões.Só pelo tom da sua voz já sei se está triste ou se está eufórica, pelo sapatos que usa ou pelas cores do vestido.Não me pergunte porquê e nem como, mas eu sei como você se sente por dentro pelo o que vejo por fora, a cor das suas unhas ou se elas estão roídas ou não.Você as come porque quer diminuir sua agressividade, quer ser mais calma, não quer arranhar.
O seu perfume, aquele adocicado, desperta em mim um instinto de macho, uma vontade louca de rasgar a sua roupa, de te encurralar na parede do corredor, de te prender com força entre meus braços, de mostrar pra você quem manda.Mas isso é intimamente, meu pudor, sua religião, minha educação, sua timidez, meu respeito, seu embaraço e minha criação me impedem de demonstrar ou de realizar.Fica só na imaginação.
Por mais que você tente esconder eu reparo, reparo nos seus gostos, no que você gosta de comer e do que não gosta, do que lê, do que fala e do que não fala, tudo é indicio, tudo é pista, tudo é um fascínio. Os brincos, os colares, as pulseiras, os pés, não me pergunte porque, mas sei quase tudo sobre você pelo o que vejo e pelo o que imagino.Imagino o tamanho dos bicos, a cor da auréola, a quantidade de pelos, todos os desenhos, cheiros e gostos que as suas roupas escondem.Ma isso é intimamente, é segredo, eu não te diria pessoalmente, mas percebo que quanto mais você evita, mas quer mostrar, o desejo humano é sempre contraintuitivo, ele subverte nossas leis, nossas regras, nossos pudores , por mais que tentamos dissimular o que queremos, ele faz de nós seus atores, quando percebemos já estamos envolvidos, entrelaçados e grudados, de pé ou deitados.


ME REVELAR 
(Zélia Duncan)
  
Tudo aqui quer me revelar.Minha letra, minha roupa, meu paladar.O que eu não digo, o que eu afirmo, onde eu gosto de ficar.Quando amanheço, quando me esqueço, quando morro de medo do mar...
Tudo aqui! Quer me revelar, unhas roídas, ausências, visitas, cores na sala de estar...O que eu procuro, o que eu rejeito, o que eu nunca vou recusar.Tudo em mim quer me revelar...Tudo em mim quer me revelar, meu grito, meu beijo, meu jeito de desejar.O que me preocupa o que me ajuda e o que eu escolho prá amar.Quando amanheço, quando me esqueço, quando morro de medo do mar.Ah! Ah!...Tudo aqui quer me revelar


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ligia sem pecado

Toda mulher é feita para brilhar como uma jóia, porém o ciúme excessivo, é um terrível empecilho que a deixa tal qual diamante sem brilho. Ligia é dessas mulheres que quando um homem vê no meio da rua, beija em pensamento, põe nua, transgride os limites, diz gracinhas mesmo, até obscenidades. E ela nem é assim tão escandalosa, usa alguns decotes sim, mas nada demais, embora seu par de seios sejam lindos e lindos. Suas saias não são mini, acima do joelho, talvez só suas calças jeans é que mostrem de fato acentuadamente seus contornos.E que curvas voluptuosas tem Ligia.
Flávio é muito ciumento, se pudesse, se pudesse ele cobriria ela com uma burca, aquela roupa que as mulheres árabes usam que cobre o corpo todo.Talvez nem tanto, mas ele não gosta que olhem pra Lígia.Ele odeia.Se pudesse ele matava quem olha, quem se atreve.E se ele soubesse dos assédios, das gracinhas que ela ouve por onde passa provavelmente já estaria morto de raiva.Certamente já estaria enterrado em algum cemitério se soubesse o que falam dela por aí, do quanto ela é atraente, do seu olhar ao mesmo tempo lascivo e inocente.Ela enlouquece os homens mesmo sem querer.Ou se quer acho que nem percebe, parecem inconscientes essas suas provocações.
Porque Ligia não é de ser sacana, ela é fiel a ele, mas Flávio de tão ciumento inventa amantes pra ela, nos lugares onde iam cismava que ela estava olhando para alguém ou paquerando, até entre seus amigos desconfiava que eles flertavam com ela.Viviam brigando por isso, o relacionamento deles era um inferno, mas quando voltavam pra casa o sexo sempre resolvia tudo, até apimentava a relação.A pegada dele ficava mais forte nela, e ela gostava de tapinhas, de palavrões sussurrados aos seus ouvidos.
Flávio já tinha traído Lígia, e essa traição me lembra a guerra do golfo. Ele fez o mesmo que o Bush pai fez com o Iraque, “ataque preventivo”. Em outras palavras a traiu antes que ela o traísse. Foi com a Mônica, moça mais velha. Besteira dele, quer dizer, bem que ele gostou da Monica, muito boa de cama, mas não precisava ter complicado com a Lígia.
A Lígia sem pecados, não que não tivesse defeitos, mas nada fez para que tanto ciúmes de Flávio se justificasse, exceto pelo fato de ser atraente. Seu comportamento sempre foi discreto, ela até mudava de roupa quando alguma coisa o incomodava, fosse vestido ou blusa, trocava qualquer peça que no entendimento dele a deixava exposta demais. Do lado dele não andava rebolando e nem colocava o dedo na boca. Fazia de tudo para não provocar desejo.Não olhava para ninguém.Não como nós homens olhamos que quase quebramos o pescoço, mas a moda das mulheres, ou seja, de forma tão discreta que é imperceptível para os machos.
Mas havia um lugar onde Lígia era totalmente dona de si e que Flávio jamais descobriria seus segredos íntimos: o pensamento.
Em pensamento, Lígia sem pecados, desejava outros homens sim, imaginava alguns que a assediavam fazendo tudo aquilo que eles queriam fazer com ela. Tudo mesmo, tudo que Flávio não fazia com ela. Em seu pensamento ela se entrega a todos que a desejam, é uma mulher fácil e que quer mesmo é enganar todos os homens com quem fizesse amor. 
Lígia sem pecados, deseja escondida ser livre, usar um vestidinho curto sem calcinha e sem sutiã. Sentir os bicos roçarem no tecido e deixar que ele duros e eriçados sejam percebidos primeiro por todo mundo, depois só por um que ela escolhesse. E a esse escolhido ela diria coisas através dos olhos e o faria querer sob o signo da loucura e da sofreguidão.
Em seu pensamento, não em todos, não como um sonho, mas apenas os seus devaneios mais fantasiosos e cheios de tesão, não quer ser aquela mulher pra casar, pra morar na casa de alguém ou para ser mãe. Quer ser a mulher pra se divertir e para uma noite de prazer e nada mais.
E se Flávio soubesse....

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fêmea


Não me importo se demonstra que minhas palavras são simples galanteios. Afinal, porque um homem elogiaria tanto uma mulher em seus emails? E mesmo que não se entregue facilmente a qualquer chamego meu, dentro de você escondida, fica toda arrepiada, como se estivesse em estado de alerta quando lê: “quero te acariciar sem deixar nenhuma parte intocada”. Quanto mais tenta disfarçar, mais vejo em seus olhos o desejo. E então quando passa por mim, se fingindo de desentendida, mas sei que percebeu que com meus olhos desabotôo cada botão desse seu vestido. Da minha mesa vejo seu rosto plácido, tentando se mostrar natural, mas sua boca deixa escapar um leve sorriso no canto dos lábios quando lê minhas mensagens. Sei que adorou aquela parte em que escrevi que te abraçaria pelas costas e a envolveria em meus braços ternamente colocando minhas mãos ao redor de sua cintura. Daqui vejo suas bochechas ficando coradas, resultado de um calor intenso que sobe debaixo pra cima em todo seu corpo.
Na hora almoço, durante aquela rápida troca de olhares, quis dizer que te admiro como profissional, que te respeito muito como pessoa, mas que te desejo de forma ardente. Do lado de fora nãos somos mais funcionários, voltamos a ser gente, você é uma mulher e sou um homem, porque sou macho e você é uma deliciosa fêmea.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mal-me-quer

"Se você me quer, eu não te quero. Mas se eu te quero, cuidado!"
(“Carmen”,ópera de Georges Bizet)

Não era fácil lidar com uma mulher tão dona de si, tão senhora de seu próprio destino, tão livre e cheia de desejos. Para ele as mulheres deveriam ser dominadas, ele estava acostumado com as frágeis, com as princesas que deveriam ser resgatadas. Para os homens, as mulheres são como objetos de seu desejo, não compreendem o tamanho da missão e do destino que um ser feminino recebe de Deus e da natureza. Nós, os homens, em troca de nossa dedicação a elas, queremos  a posse dessas criaturas que tantos nos satisfazem, fascinam e até humilham.Tanto para homens como para mulheres, o amor é puro, cínico, inocente e cruel na mesma medida. É nessa mistura que nos envolvemos na busca obstinada de ser feliz, ás vezes nos perdemos e caímos, ás vezes nos encontramos e subimos.
E lá está ela com seus vestidos e decotes vertiginosos, transgredindo e ampliando horizontes, saltos altos e seu magnetismo entrando pelas narinas de seus perfumes fortes. A fugacidade da vida contemporânea está estampada nas relações humanas, por isso hoje elas beijam tanto e tantos.
A mulher por quem ele se apaixona é um desses pássaros rebeldes que não se podem aprisionar e isso o deixa furioso, que mesmo com toda sua força física, seus presentes e posses, não consegue dominá-la. E seu machismo ferve num caldeirão de ódio em seu coração. É ela a sedutora e não ele, é ela a que chama atenção e não ele, essa inversão de papéis o deixa louco, é como se ela o castrasse. Por isso os homens morrem de medo das mulheres, porque somente elas podem dominá-lo.
A beleza dela não põe a mesa, mas enche os olhos. Apesar de ser perigosa, fazer amor com ela, era como se embrenhar numa mata selvagem e ás vezes cair em armadilhas, em buracos da imaginação, justamente por seu caráter perigoso, é uma femme fatale para todos .
Durante o seu orgasmo tudo é triunfante, e ela diz sussurrando : “Assim eu morro”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pernas

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
(Eu te amo- Chico Buarque)

Pernas pra que te quero? Quero das coxas a panturrilha, roliças, encolhidas ou erguidas no ar, quero joelhos nus, tornozelos delicados ou graúdos, pernas com os pelos descoloridos ou elas todas depiladas. Não importa se são grossas ou se são finas, me interessa é que são femininas. 
As pernas são como dois pilares que sustentam o corpo de uma mulher, quando alforriadas das calças jeans podemos notar a sua exuberância, o seu brilho e os seus contornos. Livres elas se movimentam, definem o balanço, dançam e se contraem, mostrando os poucos músculos que numa mulher combinam, os das coxas e os da “batata da perna”.
Como é interessante mulher de vestido, um pedaço da perna descoberto e o resto sugerido pelo balanço do tecido. E as saias e minissaias revelando e expondo as pernas, de meia-calça só um vislumbre, mas nuas, são brilhantes e sedutoras, mesmo quando são curtas ou longas.
Longas como os 123 centímetros das pernas de Ana Hickmann  e os muitos da Claudia Raia, ou mais grossas e morenas como as de Tina Turner, mais fortes e também morenas como as de Beyoncé e Ivete Sangalo e um pouco mais curtas, mais igualmente maravilhosas , como as da atriz Paola de Oliveira.
Pernas cruzadas para sedução, pernas coreografadas como as das dançarinas de cabarés, ou flexíveis como as das bailarinas, pernas com cinta-liga que incendeiam qualquer quarto, ou cobertas por belíssimas botas de couro, por calças jeans folgadas ou apertadas, alongadas por salto altos(simples ou agulha) que dão toque de fetiche ao conjunto todo da obra de arte que é uma mulher.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Bumbum

No corpo feminino, esse retiro — a doce bunda — é ainda o que prefiro. A ela, meu mais íntimo suspiro, pois tanto mais a apalpo quanto a miro.
(Carlos Drummond de Andrade)

E Deus criou a mulher com seus cabelos cheirosos, sua boca vermelha, seus seios redondos, suas costas de curvas suaves e seu bumbum arrebitado. O cérebro dos homens sente atração pelo que vê, mas eu não concordo em ser um mero espectador do bumbum feminino.Eu o vejo ativo, como uma parte anatômica da mulher que tem poder.Para muitos o corpo da fêmea é como se fosse o de uma mãe.Deve permanecer puro, ou então, é como o de uma prostituta, a qual só serve para sacanagens.Para mim ele deve ser a união dessas duas características.E é nessa igualdade que se encaixa perfeitamente o bumbum, aquelas duas metades que desejamos tanto. O milagre de ser dois em um.
Uma mulher deitada de barriga para baixo e bumbum para cima é como uma daqueles doces irresistíveis e maravilhosos expostos nos balcões de vidro refrigerados, como aquelas tortas de morango com creme ou de chocolate que você chega a comer com os olhos e enche a boca de água. O disparador do desejo começa por uma parte e depois vai para o todo.O bumbum, mesmo ficando atrás, muitas vezes  atrai a atenção primeiro, que depois acaba se espalhando para o resto do corpo inteiro.
As curvas, o volume e as proporções fazem do bumbum como um monumento que se destaca, ainda mais quando a mulher em seu ondulante caminhar rebola o seu derrière, palavra francesa para bumbum. Derrière como o de Brigite Bardot em   “Le Mépris” (O Desprezo) de Godard, em que ela pergunta: “e a minha bunda, você ama a minha bunda?”(cena que ficaria melhor ainda com a voz de Françoise Hardy sussurrada).
Também vou à contramão quando se diz que o bumbum é objeto de dominação do homem sobre a mulher, eu acho que é o contrário, ele na verdade nos hipnotiza, ainda mais quando está apenas sugerido em calças apertadas ou mais explícitos em espartilhos, lingeries com babados atrevidos. A mulher o oferece como um presente, um prêmio, então o bumbum é como um bombom. 
 A palavra bunda veio de ovimbundos, uma das etnias banta de Angola. As mulheres dessa etnia sempre foram conhecidas por sua beleza física e pelo farto bumbum e assim, para simplificar, todo mundo as chamavam de bundas. E a palavra acabou pegando no lugar mais saliente. Estruturalmente, na raça humana, as nádegas são formadas dos músculos que movimentam as pernas e é também o local onde é armazenada a gordura para formação de um feto.

É certo que o bumbum é um fetiche e como todo fetiche ele muda as coisas de lugar no corpo da mulher e do homem. A boca pode estar nos olhos, e o bumbum ao invés de ser apenas a parte de trás pode ser o protagonista do prazer. Que se morde, se prova, se afaga ou dá uns tapinhas.
Bumbum é ao mesmo tempo voluptuoso ou uma polpa gloriosa se for grande, cadeiras charmosas ou ancas graciosas se for médio, e dois pequenos  docinhos se for pequena, mas pode, todas elas, ser também carinhosamente um delicado pompom de coelhinha.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Costas


Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas, mas no fundo gostas
Quando a noite vem
(Tatuagem – Chico Buarque)

A curvatura das costas femininas é um tema freqüente de atenção, já que a sensibilidade da maioria das culturas permite mostrar essa parte do corpo descoberta, sugerindo com isso a desnudes sem a mostrar realmente. São como uma incógnita . As costas femininas são como um caminho a ser percorrido pelas mãos e pela boca, da nunca ao bumbum vértebra por vértebra, costela por costela. E por ela que escorrem a cascata dos cabelos, é o lugar em que se desata o sutiã, onde um pequeno cofrinho ás vezes se revela das calças apertada e baixas. Onde ficam aqueles dois furinhos charmosos próximos a cóccix. É nas costas onde ficam os ombros tensos, e onde pele osso e músculos se harmonizam. É pelas costas que o homem domina a mulher no jogo erótico do prazer.
Vou te virar pelo avesso, com a boca mordendo tua nuca, e você todinha arrepiada como se a minha língua fosse feita de fogo e de gelo, e eu te dizendo suavemente pequenas obscenidades, os meus dedos de homem, todos os dez, percorrendo tua lombar, lentos e certeiros, como se fossem mensageiros, acarinhando e amassando, apertando e aliviando, minha massagem é de alta dosagem. Porque pelas tuas costas exploro, poro por poro, relaxando os teus músculos e contraindo os meus como se os movimentos derramassem sobre a pele do teu dorso um cálice generoso de vinho tinto, descendo pelas entranhas sinuosas da tua coluna, e caíssem nas esquinas das tuas coxas, até lá embaixo, onde teu corpo forma pequenos esconderijos.E eu beberia gota por gota, do meu vinho misturado ao teu caldo.
Pelas tuas costas, litoral do teu corpo, navegando pelo suor, de ladinho e de quatro, posição cômoda e sensual, pode não ser romântica como aquela em que o casal se beija e se olha, mas permite maior contato com uma região venerada pelos homens.
 O teu bumbum!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Quadris

“Uma prece pelos rebeldes de coração enjaulado”
Tennessee Williams


Os seus quadris não mentem jamais, dizendo tudo no doce balanço a caminho de qualquer lugar, a cintura, mais fina, fala “me pega rapaz”, e a largura das cadeiras ficam insinuam o poder das tuas ancas e coxas.Teu corpo é instrumento musical, um violão para ser tocado, dependendo da música, do ritmo, toca-se as cordas com suavidade ou energia.
O seu rebolado é a dança dos seus passos, você não caminha, desfila, o queixo levantado, um pé na frente do outro como se estivesse seguindo uma linha imaginária no chão e os bracinhos balançando são a fórmula do seu requebrado. Quadril de mulher é felino, manhoso, e o rebolado feminino é herança genética da mãe, que antes dela nascer já andava de salto alto com elegância.
Os movimentos do seu quadril são para roçar e para encaixar melhor, são eles que traduzem aquele seu jeito louco de fazer amor, onde fica tudo que se quer, protegidos pelo zíper e pelo fechecler, por fora carne fria, por dentro toda a geografia que eu já imaginava desde a fotografia ou antes do baile e que depois aprendi tudinho pelo método braile.
O melhor movimento feminino continua sendo o dos quadris.