Desejo não é pecado

“Amor é o desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado.” (*Robert Frost)
Mostrando postagens com marcador sexo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sexo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de março de 2017

Caçadora

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Despida, desnuda, pelada

Nua não é pelada
enquanto a boca
fica calada
deixa que o corpo fala

Carne crua
pele assada
se o corpo for branco
deixo ele moreno

Essa sua falta de juízo
é vertigem do pecado
tontura de veneno

Esse calor
que lhe sobe pelos meios
te molham o instinto
escorre pelos seios

Despida na entrada
não é desnuda na entranha
mulher em parcelas

minha conhecida estranha

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O prazer é nosso

Lascívia, substantivo feminino, significa propensão para a luxúria, sensualidade exagerada, excitação, tesão.
O erotismo é uma das maiores expressões do desejo sexual humano, é algo não muito explícito , tem haver mais com o charme, é o bel-prazer que se materializa mesmo sem o toque, muitas vezes não requer o contato físico, uma fotografia ou mesmo uma imagem mental detona estímulos capazes de excitar uma pessoa.
Como se trata de um estímulo  visual, a raiz moderna do erotismo vem do cinema americano do inicio do século XX, as belíssimas musas ajudaram a criar no imaginário popular os mitos da sensualidade feminina que seduz os homens como o açúcar faz com as abelhas.
A personagem de animação Betty Boop foi um dos ícones do erotismo moderno, criada em 1930 ela tinha feições caninas e era apenas a namorada de um cachorro em um curta animado. Sucesso instantâneo transformou-se logo em protagonista, as orelhas de animal deram lugar a brincos de argola e os fãs descobriram que, ali, havia uma mulher de charme e ousadia. Com seios marcados, cinta-liga à mostra, lábios provocantes e voz inspirada em cantoras de Hollywood , em especial Helen Kane, da canção “Boop Oop a Doop” que foi o motivo do seu nome de batismo.
Sexo vende e muito, por isso a imagem da mulher sexy e símbolo sexual é explorada como um produto para dar satisfação aos anseios masculinos por sensualidade, em contrapartida com o advento do feminismo, mais tarde os homens também foram usados como alegorias do desejo feminino. A derivação do erotismo em pornografia acabou desvirtuando o propósito da insinuação como um meio suave da sedução, a explicitação do sexo tira um pouco da graça do erotismo por escancarar demais, pois a fantasia em matéria de sexo se parece muito com brincadeira de gente adulta.
O simbolismo sexual ajuda a criar padrões de beleza.e a direcionar os comportamentos das pessoas, cabelos loiros e sensualidade, o tamanho dos seios, os saltos, as saias, os músculos  e tudo mais que envolver a indumentária e o corpo, a beleza é uma das maiores preocupações de um ser humano, talvez porque todos nós queremos ser notados de uma maneira ou de outra.
Na galeria das grandes musas não-americanas temos:
Brigitte Bardot tinha um olhar insinuante ,um enorme “sex appel” pelo conjunto do corpo todo, cabelos loiros e despenteados, um misto de ingenuidade e leviandade, uma mistura fascinante da ninfeta com a femme fatale.
Catherine Deneuve além de ter sido belíssima no esplendor de sua juventude, ainda se conserva esplêndida e em forma do alto dos seus 63 anos , é um belo exemplo de como se envelhecer bem
“A bela da tarde” é um dos seus filmes mais famosos, filmado em 1967 abordava um assunto já bem avançado para época.A história de Séverine, jovem rica e infeliz que procura um discreto bordel para realizar suas fantasias sexuais e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar.
Dona de um intenso magnetismo que atrai os olhares tanto dos homens que a desejam como das mulheres que a admiram , além da sensualidade possui um enorme talento dramático que une a beleza contemplativa à admiração pela sua capacidade e inteligência.
Embora a beleza não seja um privilégio de todos, cada um de nós possui algo de belo que não é próprio somente aos olhos, mas que transcende conceitos estéticos, como uma formosura que vem de dentro pra fora, um encanto pela sinceridade das palavras, uma atração pela generosidade de um gesto ou mesmo um fascínio pela simplicidade da doçura que trata outros “"alguéns"”.
(Texto escrito em 2005)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Orgasticamente

Quem realmente neste mundo pode dizer que é feliz? Talvez ninguém. Felicidade no mundo material é sinônimo de prazer e não se sente prazer o tempo todo. O sofrimento está presente na vida de todos nós independentemente do quão sejamos “bem sucedidos”. Porque não existe dinheiro no mundo que consiga nos precaver de todas formas de sofrimento que existem ou de eliminar os aspectos mais insuportáveis da nossa existência. Do outro lado, resta aos desafortunados pensar que são felizes simplesmente porque sobrevivem ao pior.
A maior fonte de prazer do ser humano é o desejo sexual. E o maior prazer que o ser humano experimenta é o orgasmo. Como a sexualidade foi despertada de forma imprópria na espécie humana, normalmente com as práticas masturbatórias, muitos componentes de ansiedade e de rapidez da experiência orgástica prevaleceram, condicionando a experiência de orgasmo a situações antagônicas de medo, ansiedade e insegurança. Os fatores psicológicos foram determinantes em muitas situações, desqualificando a descoberta do prazer sexual, situando-a como algo sujo, proibido, prevaricado, indigno; feito nos porões escuros e subterrâneos da alma, sem que ninguém possa saber, como um ato de isolamento e de pecado.

Jamais uma pessoa que se sinta feliz desejou mal a alguém. Assim, cada vez que alguém se descobre e percorre o caminho dos seus sonhos, o mundo se torna mais bonito e mais solidário.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Leoa





























Quando fugi da minha jaula
Conheci uma mulher misteriosa
Toda cheia de capricho
Fiquei louco na mesma hora
Senti um profundo calafrio
Como um desejo de bicho
Por aquela fêmea lânguida no cio

E então livres e soltos
Como foi louca a nossa história
Com suas garras me lanhou
Me mordeu, me dominou
E de tanta garra e caricia plena
Ainda trago as marcas frescas
No corpo e na minha memória

Logo eu que achava que Leoa
Mulher-fera, fêmea-selvagem
Só se encontrava lá na savana africana
Mas foi surpreendido pela Menina- Felina
Rugindo alto e forte na minha cama

E nessa batalha selvagem,
Não se sabe quem venceu
Se a foi leoa no cio
Ou o homem que a mereceu!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nosso reino


Ela, líquida, líquida, líquida, eu, sólido, entre nós delicadamente o tantra fluindo do meu corpo para o corpo dela: “Se você não for casado, eu me casaria com você”, sentíamos através de nossos próprios sentidos uma aliança, uma ligação, um sintoma do encontro  entre duas partículas estelares, finalmente juntos, cintilávamos e em festa nos envolvendo como num abraço de duas luzes infinitas. “Se não for velho, gostaria de envelhecer com você”, na viagem da minha vida muitos descobrimentos, mas até então nenhum encontro, até que ela, esfíngica, surgiu pra ser decifrada. “Se já for velho gostaria de rejuvenescer com você”, nós dois fugitivos, nos encontrando atrevidos, assustados e ao mesmo tempo calmos, um morando nos braços do outro, corajosos, radiantes, valentes, fortes e indestrutíveis. Nós dois, desesperadamente sussurrando palavras de desejo, ousadas, profundas, porque primeiro nos possuímos pelos ouvidos, depois pelas mãos, até nos despirmos tendo a lua como iluminação. Na cidade eu fui condenado à prisão perpétua, ela em seu reino a pena de morte. Nunca mais voltaremos pra lá, mudaremos nossa sorte fundando uma nova nação.
E juntos, no alto daquela fortaleza abandonada de pedras, nos amávamos, eu beijando sua pele, ora carinhosamente, ora faminto, me atrevendo por todos os seus recantos como se eles fossem um território selvagem e desconhecido, cavalgávamos juntos um o corpo do outro, ela sentido meus músculos roçando seus seios, eu sentindo entre os dedos o mel que escorre de seu corpo quente e sedento pela fala, pelo falo, pelo meu poder masculino que tanto lhe fascina.
A cidade distante não sabia que do alto daquela fortaleza em ruínas, estamos ardendo em chamas, quase desmaiados de exaustos, enlouquecidos pela busca do gozo, como se aquele fosse nosso último orgasmo, perdendo os sentidos sem saber se já estávamos mortos ou se ainda permanecíamos vivos. Furiosos como se fossemos ondas fustigando o caís e calmos como se fossemos duas nuvens carregadas de água e de relâmpago, que se encontram para finalmente derramar chuvas sem tempestade. Ela refletida em meus olhos, de tão iguais éramos espelhos,e ela voava, voava, voava e depois caia sem jamais encontrar o chão. Eu ao seu lado subindo e descendo, ela águia e eu o jaguar, ela princesa da lua, eu o príncipe das nuvens, com nossas idéias poderíamos revolucionar o mundo, mudar o destino da cidade que nos condenou e alcançar o paraíso.
Show Me Heaven
Mostre-me o Paraíso
Maria McKee

Lá vai você
Um brilho emocionado em seus olhos
Ei querido, venha para ao meu lado
Feche-os firmemente
Eu não estou negando
Nós estávamos voando acima de tudo
Segurando minha mão, não me deixe cair.
Você tem aquela graça surpreendente
Eu nunca senti dessa maneira
Oh, mostre-me o paraíso, me proteja.
Deixe-me ofegante
Oh, mostre-me o paraíso, querido
Aqui vou eu
Eu estou tremendo apenas como uma brisa
Ei querido, eu preciso da sua mão para me firmar
Eu não estou negando
Estou tão apavorada quanto você
Embora eu mal esteja tocando em você
Eu tenho arrepios em baixo de minha espinha
E isso é divino
Oh, mostre-me o paraíso...
Se você souber como é
Sonhar um sonho
Querido, me segure firmemente.
E deixe acontecer...


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias - Parte XIX


O arquiteto sobre a psicóloga

Eu gosto das suas tranças, os anos passam e eu ainda me lembro da primeira vez que eu a vi com aquelas grandes tranças loiras, dançando reggae, ainda tão menina, mas já tão cheia de si.Não sei em que ponto nós nos deixamos de amar, o tempo deveria ter um efeito diferente desse de consumir, essa coisa terrível que é o desgastar.Mas eu ainda a admiro, ainda olho pra ela e consigo sentir uma sensação diferente.Sabe, inventei uma coluna que geralmente uso em jardins de invernos, é feita de concreto, é como uma transa estilizada por onde a água deve escorrer quando chove.Meus clientes adoram essa minha idéia.Ela é inspirada nas tranças dela.
Quando ela ficou grávida da Clarice estava linda, eu adorava ficar olhando pra ela sem que ela percebesse, dizia pra mim mesmo, “poxa isso tudo é meu?” E quando ela percebia, me falava com um daqueles mil sorrisos que ela tem “para de ficar me olhando!”, mas era um “para” que queria dizer mesmo é “continua me olhando e nunca mais pare!”. E é isso que eu faço até hoje, até hoje eu ainda continuo olhando para minha esposa sem parar. Mesmo quando ela do meu lado está usando seus inefáveis óculos escuros que escondem aqueles grandes olhos italianos. Eu teria sido um imbecil se não tivesse me casado com ela.
Sabe a minha profissão é algo que eu gosto muito, pensar que faço parte da vidas das pessoas, que desenho suas casas, o lugar onde muitas delas vão viver para a vida toda, puxa isso é algo maravilhoso pra mim, é o que me faz encarar cada dia como se fosse um desafio.Ser arquiteto é uma mistura de arte com obrigação, obrigação de crescer profissionalmente, de construir espaços para o convívio particular ou público e de construir uma sociedade feliz.Ou pelo menos tentar.Assim como faz a minha esposa, ela tenta fazer as pessoas se construírem melhor, minha esposa, a psicóloga, uma mulher incrível, mas que já não sei se amo mais.Eu me culpo, rapaz, como eu me culpo por te deixado de amá-la, mas pelo menos me congratulo quando sinto que a admiro.E acredito que vou admirá-la mesmo se nos separarmos.Toda vez que descemos juntos para a Casa de Maresias eu fico olhando pra ela e pergunto: “No que você está pensando?” e quase sempre ela me diz: nada.E eu sempre soube que não era nada, sempre soube que ela estava pensando na gente, desde o começo eu sempre senti ela pensando na gente.E não é fácil você construir uma família e sentir que sua esposa talvez não seja feliz com você.
Eu dei minhas mancadas, eu a traí algumas vezes. Tive casos com secretárias e casos com mulheres do meu meio, arquitetas e engenheiras da minha companhia.E minha esposa, a psicóloga, deve ter descoberto algum desses afairs.Mas um casamento que chega a quase duas décadas, pelo menos o nosso, não teria sobrevivido de outra maneira.Eu não saberia bancar o bonzinho o tempo todo, tem horas que preciso dar essas escorregadas.Já perdi minha aliança uma vez num quarto de motel cafona da Vila Mariana, um motel com quartos temáticos, cama giratória e espelhos por todos os lados.A mulher era uma arquiteta, casada também.Flertávamos desde quando ainda éramos jovens recém-formados.Uma noite, já lá pelas tantas, cansados e trabalhando no mesmo projeto saímos pra jantar e relaxar.  Aí aconteceu. Já tive que passar uma semana sem ficar sem camisa em casa por causa dos arranhões que ganhei de uma secretária. Ela tinha fetiche, queria transar na prancheta, queria transar em cima da mesa, no chão, dentro dos armários, era um furacão. Foi um caso que durou alguns meses.Paramos só quando eu comecei a ficar preocupado com as atitudes dela, apaixonada ela podia querer me prejudicar.Então fizemos um acordo, eu a demitiria e daria uma indenização.Ela disse, garota ainda, você não pode comprar o meu amor, eu respondi que não poderia mesmo, mas a convenci que seria melhor para nós dois daquele jeito, porque eu não largaria minha família por causa dela.
Meus casos são como anexos, variações do meu desejo, no meu conjunto de valores a minha infidelidade não é uma traição, não chego a amar essas fêmeas, elas são isso fêmeas, entidades femininas com um nome. Apenas sacio minha fome em corpos voluptuosos de mulheres que se oferecem como frutas sumarentas, por isso mordo suas cascas, preciso comê-las as polpas, chupá-las até o bagaço, mas sempre cuspo fora as suas sementes.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias - Parte V


As meninas

O arquiteto estava cercado por três mulheres fortes e geniosas. A mais nova Lorena sentia ciúmes da proximidade da irmã Clarice com ele. Isso a revoltava, a deixava chateada. Já Clarice lutava com a mãe pelo poder de forma velada. Não a obedecia.Freqüentemente usava roupas decotadas demais e tinha uma tendência se tornar promíscua embora guardasse em si ainda um certo pudor.A mãe, a psicóloga, se sentia muitas vezes infeliz dentro daquele casamento.Vive um conflito interno entre sua parte Amélia, influenciada  pela mãe de família italiana, e sua parte libertária influenciada pelo pai.A convivência dessas três mulheres se intensificava na casa de Maresias quando durante o verão passavam alguns meses juntas.Clarice desde muito cedo tinha criado um estilo próprio, muito vaidosa e independente, dispersa, ativa, extremamente extrovertida e que fazia amizades facilmente.Já Lorena era mais retraída, mais obediente e concentrada.Parecia sempre muito focada nos seus objetivos e suas amizades eram bem poucas.
A psicóloga justamente por ser psicóloga tentou criá-las de uma maneira perfeita, segundo o que aprendeu na faculdade e da observação da vida prática e de seus pacientes. Tentou não interferir em suas personalidades e sempre buscou ser compreensiva. Mas nem sempre teve muito tempo pra isso, sua carreira logo cedo deslanchou, ela trabalhou muito anos numa empresa em que prestava consultoria e depois abriu seu próprio consultório.Apesar de pouco tempo com as filhas sempre foi uma mãe muito presente.Sempre que possível comparecia as reuniões, ligava para elas durante o dia e a noite sempre conversava com as crianças durante o jantar.Faziam as lições de casa juntas e aos finais de semana o tempo todo estava por perto.
Desde quando as meninas eram pequenas sempre houve alguém para cuidar delas enquanto seus pais trabalhavam. Naquela época eles não queriam babás, a prima Rita, prima da psicóloga, foi a primeira que cuidou delas.A prima Rita era uma mocinha ainda quando ajudou a psicóloga cuidar da Clarice bebê.As duas avós ajudaram bastante também, mas foi a prima Rita que segurou a barra.Vinda do interior, a prima Rita quase tinha virado freira, e só não virou pra cuidar da Clarice.Prima Rita é dessas mulheres que só riem, pra ela estava sempre tudo bem, tudo bom, nada a chateava, nunca ninguém a viu de mau humor ou contrariada.Quando Lorena nasceu a prima Rita ainda estava lá.Na casa de Maresias foi ela quem organizou os murais de foto e uma espécie de exposição de desenhos infantis das irmãs desde quando elas ainda eram crianças em idade pré-escolar.Os desenhos que ficavam pendurados na porta da geladeira do apartamento de Perdizes eram cuidadosamente transportados por ela para casa de Maresias onde ela num dos quartos organizava nas paredes uma exposição.O lado “C” era o de Clarice e o lado “L” o de Lorena.Prima foi embora quando as meninas cresceram e passaram a estudar quase que o dia todo.Virou freira.
Na casa de Maresias cada uma tinha seu quarto. O quarto de Clarice estava sempre bagunçado, o de Lorena um pouco mais organizado.Cada uma tinha suas bonecas e seus brinquedos separados em São Paulo, mas na casa de Maresias tudo se misturava.O lugar preferido da casa das meninas, quando ainda eram pequenas, eram os dois balanços que o avó, pai da Psicóloga, tinha feito pra elas no fundo da casa.Eles eram feito de cordas vermelhas, um assento era branquinho o outro azul.O azul era o de Clarice, o branquinho de Lorena.Ficavam dependurados no galho de uma velha árvore que parecia estar lá mesmo antes da construção da casa.Fora preservada pelo outro avô, o pai do Arquiteto.As duas passavam lá horas se balançando cada vez mais alto, cada vez mais alto.E a prima Rita paciente que só ela, balançou muitas vezes as meninas até quase sua completa exaustão.
Quando as meninas foram uma vez numa feira de animais adoraram um pintinho e fizeram o Arquiteto comprá-lo e o levaram para casa. Chegando lá a psicóloga quase pirou, brava interpelou o Arquiteto e as filhas: “Onde já se viu criar um pintinho em apartamento?”. E ela estava certa porque o pintinho foi crescendo no apartamento até um dia que a bagunça que ele fazia e o cheiro de seus excrementos não davam mais para ser tolerados na lavanderia do apartamento em Perdizes. E o pintinho foi morar lá na casa de Maresias perto do muro dos fundos, do lado da casa do caseiro. Depois veio o Ralf, um cachorrinho da raça Labrador simpático, que as meninas ganharam de um amigo do pai do Arquiteto.Enquanto ele era pequenininho tudo bem, era uma gracinha, mesmo quando fazia cocô e xixi no chão do quarto das meninas, mas teve um dia que ele rasgou o sofá branco da sala de estar que era o xodó da psicóloga.Ela surtou e despachou ele para a casa de Maresias no final de semana seguinte.E o cãozinho foi morar num canil que o caseiro construiu especialmente pra ele lá.Teve ainda um porquinho-da-índia, o Tuti, que também foi morar na casa de Maresias porque vivia fugindo e freqüentemente era encontrado no banheiro da psicóloga que tomava susto todas as manhãs com ele porque o confundia com um rato.
Lorena desde pequena se adaptava facilmente a casa de Maresias, dormia tranqüila e calma.Já Clarice demorava alguns dias para se aclimatar ao calor da praia.As duas adoravam brincar na areia e aprenderam a nadar bem cedo na piscina da casa.No mar se deixassem, passavam o dia todo brincando bem na beirinha, já que o mar de Maresias é bem bravo.Clarice desde pequena gostava de fazer castelos, já Lorena gostava de fazer buracos.As duas sempre brincavam juntas, mas Clarice sempre quis comandar as brincadeiras.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O prazer é algo natural


Sexo é saúde, é saudável, é natural, faz bem ao ego, a pele e a autoestima. Não é algo sujo, ordinário ou compulsivo. Por medo e por não se conhecer, o ser humano inventou uma serie de restrições, inventou códigos morais, de repressões e a religião tratou de demonizar o desejo e o sexo. Um ato carinhoso ou carnal como esses entre duas pessoas que se sentem atraídas e o praticam de forma consensual, tem que ser tratado com respeito, o prazer existe para nos satisfazer, não para nos condenar.
É claro que é preciso controlar nossos ímpetos, caso contrário não trabalharíamos e ficaríamos o tempo todo só em função do prazer, mas não é mais necessário transformar o sexo em pecado, a infância do ser humano acabou. Acredito que o exercício pleno de nossas sexualidades é um marco civilizatório e espiritual da humanidade e não ao contrário como quer a religião. A dimensão mais humana de um homem ou de uma mulher é o seu desejo. É aquilo que o torna forte e frágil ao mesmo tempo. E não conheço nada mais humano do que essa incrível contradição.
Da mesma maneira em que fascina, a mulher assusta ao homem. Sua sexualidade é tão poderosa que poderia fazê-lo em pedacinhos. Desde a antiguidade isso é sabido, por isso foram criados os cintos de castidade e as burcas.  Por isso a mulher que tem o poder de sedução e que pode controlar qualquer homem era chamada de bruxa e queimada em fogueiras. Não é uma mera coincidência que as fronteiras da sexualidade humana só começaram a serem vencidas quando da revolução sexual promovida pelas mulheres.
O sexo é um jogo que nos envolve totalmente, ancestral e misterioso, que existe muito antes de nos conhecermos como “gente”. São olhares, sorrisos, cheiros, gestos, comportamentos, tom de voz, palavras, toques, movimentação, são sinais, e são todos os sentidos voltados única e exclusivamente para a sedução. O sexo é o desenvolvimento mais completo de todas as nossas potencialidades, nossos cinco sentidos se inebriam, nosso corpo passa a agir de modo diferente, tem reações involuntárias, nossas pupilas dilatam, nossa voz fica um tom mais baixo(no caso das mulheres)ou um tom mais alto(no caso dos homens), quase sussurrante, ou quase gritada, nosso aparelho respiratório se expande, nosso coração bombeia sangue com mais rapidez, mudando todo o seu funcionamento, nosso cheiro, nossa percepção de realidade, nossas atitudes, tudo aumenta, fica maior e por isso nos amplia também.
Sexo é saúde e o prazer é algo natural, é preciso praticá-lo com responsabilidade e com consciência e se assim for feito será para sempre uma fonte de satisfação, de autoconhecimento, de carinho e de amor. Nossas afetividades não devem ser vista como uma vergonha, mas como um orgulho.
Por isso seja feliz e goze.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ligia sem pecado

Toda mulher é feita para brilhar como uma jóia, porém o ciúme excessivo, é um terrível empecilho que a deixa tal qual diamante sem brilho. Ligia é dessas mulheres que quando um homem vê no meio da rua, beija em pensamento, põe nua, transgride os limites, diz gracinhas mesmo, até obscenidades. E ela nem é assim tão escandalosa, usa alguns decotes sim, mas nada demais, embora seu par de seios sejam lindos e lindos. Suas saias não são mini, acima do joelho, talvez só suas calças jeans é que mostrem de fato acentuadamente seus contornos.E que curvas voluptuosas tem Ligia.
Flávio é muito ciumento, se pudesse, se pudesse ele cobriria ela com uma burca, aquela roupa que as mulheres árabes usam que cobre o corpo todo.Talvez nem tanto, mas ele não gosta que olhem pra Lígia.Ele odeia.Se pudesse ele matava quem olha, quem se atreve.E se ele soubesse dos assédios, das gracinhas que ela ouve por onde passa provavelmente já estaria morto de raiva.Certamente já estaria enterrado em algum cemitério se soubesse o que falam dela por aí, do quanto ela é atraente, do seu olhar ao mesmo tempo lascivo e inocente.Ela enlouquece os homens mesmo sem querer.Ou se quer acho que nem percebe, parecem inconscientes essas suas provocações.
Porque Ligia não é de ser sacana, ela é fiel a ele, mas Flávio de tão ciumento inventa amantes pra ela, nos lugares onde iam cismava que ela estava olhando para alguém ou paquerando, até entre seus amigos desconfiava que eles flertavam com ela.Viviam brigando por isso, o relacionamento deles era um inferno, mas quando voltavam pra casa o sexo sempre resolvia tudo, até apimentava a relação.A pegada dele ficava mais forte nela, e ela gostava de tapinhas, de palavrões sussurrados aos seus ouvidos.
Flávio já tinha traído Lígia, e essa traição me lembra a guerra do golfo. Ele fez o mesmo que o Bush pai fez com o Iraque, “ataque preventivo”. Em outras palavras a traiu antes que ela o traísse. Foi com a Mônica, moça mais velha. Besteira dele, quer dizer, bem que ele gostou da Monica, muito boa de cama, mas não precisava ter complicado com a Lígia.
A Lígia sem pecados, não que não tivesse defeitos, mas nada fez para que tanto ciúmes de Flávio se justificasse, exceto pelo fato de ser atraente. Seu comportamento sempre foi discreto, ela até mudava de roupa quando alguma coisa o incomodava, fosse vestido ou blusa, trocava qualquer peça que no entendimento dele a deixava exposta demais. Do lado dele não andava rebolando e nem colocava o dedo na boca. Fazia de tudo para não provocar desejo.Não olhava para ninguém.Não como nós homens olhamos que quase quebramos o pescoço, mas a moda das mulheres, ou seja, de forma tão discreta que é imperceptível para os machos.
Mas havia um lugar onde Lígia era totalmente dona de si e que Flávio jamais descobriria seus segredos íntimos: o pensamento.
Em pensamento, Lígia sem pecados, desejava outros homens sim, imaginava alguns que a assediavam fazendo tudo aquilo que eles queriam fazer com ela. Tudo mesmo, tudo que Flávio não fazia com ela. Em seu pensamento ela se entrega a todos que a desejam, é uma mulher fácil e que quer mesmo é enganar todos os homens com quem fizesse amor. 
Lígia sem pecados, deseja escondida ser livre, usar um vestidinho curto sem calcinha e sem sutiã. Sentir os bicos roçarem no tecido e deixar que ele duros e eriçados sejam percebidos primeiro por todo mundo, depois só por um que ela escolhesse. E a esse escolhido ela diria coisas através dos olhos e o faria querer sob o signo da loucura e da sofreguidão.
Em seu pensamento, não em todos, não como um sonho, mas apenas os seus devaneios mais fantasiosos e cheios de tesão, não quer ser aquela mulher pra casar, pra morar na casa de alguém ou para ser mãe. Quer ser a mulher pra se divertir e para uma noite de prazer e nada mais.
E se Flávio soubesse....

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fêmea


Não me importo se demonstra que minhas palavras são simples galanteios. Afinal, porque um homem elogiaria tanto uma mulher em seus emails? E mesmo que não se entregue facilmente a qualquer chamego meu, dentro de você escondida, fica toda arrepiada, como se estivesse em estado de alerta quando lê: “quero te acariciar sem deixar nenhuma parte intocada”. Quanto mais tenta disfarçar, mais vejo em seus olhos o desejo. E então quando passa por mim, se fingindo de desentendida, mas sei que percebeu que com meus olhos desabotôo cada botão desse seu vestido. Da minha mesa vejo seu rosto plácido, tentando se mostrar natural, mas sua boca deixa escapar um leve sorriso no canto dos lábios quando lê minhas mensagens. Sei que adorou aquela parte em que escrevi que te abraçaria pelas costas e a envolveria em meus braços ternamente colocando minhas mãos ao redor de sua cintura. Daqui vejo suas bochechas ficando coradas, resultado de um calor intenso que sobe debaixo pra cima em todo seu corpo.
Na hora almoço, durante aquela rápida troca de olhares, quis dizer que te admiro como profissional, que te respeito muito como pessoa, mas que te desejo de forma ardente. Do lado de fora nãos somos mais funcionários, voltamos a ser gente, você é uma mulher e sou um homem, porque sou macho e você é uma deliciosa fêmea.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mulher, obra de arte

Sexo pra mim também é uma forma de fazer arte, porque considero a mulher uma obra de arte, uma escultura viva que ao mesmo tempo em que é misteriosa também está ávida para ser descoberta. Um corpo feito de entalhes e todos aqueles detalhes que nos fascinam na medida certa. Os seios de qualquer tamanho, o bumbum de qualquer formato, o balançar em qualquer ritmo dos braços, enfim todas aquelas curvas e subidas, superfícies por onde deslizamos e túneis por onde somos engolidos e depois cuspidos aos bagaços.
Ao se enfiar nesses buracos, graças ao teu insaciável “quero”, antes que você pisque os olhos nas escuridões, confuso se perguntará: “Onde estão as minhas vontades?”
É só delas aquela maravilhosa energia feminina que suaviza e te perfuma a vida, e que no mesmo espaço permite, como se fosse à coisa mais normal do mundo, o convívio não - pacifico de estranhas ambigüidades, como a impaciência de mãos dadas com a sensibilidade. É só delas aquele mesmo corpo lânguido que sente profanamente um prazer intenso quando goza, e que também poderá ser divinamente o berço de sua maternidade. Numa mulher como numa casa, a mesma porta que é feita de entrada, também será usada como saída.
A mulher é o seu corpo e as suas múltiplas vontades, tem horas que elas querem ser protegidas por um bravo herói, em outras devoradas pelo mais cruel e terrível lobo da floresta. Por isso que tem mulher que é boa e mulher que não presta, tudo depende das personalidades. É de acordo com o que elas pensam que tudo mais se define em suas vidas. E nas nossas também, companheiras. São decisões que vão da profissão que escolhem ao homem com quem se casam, do que sai pela boca ao que entra pelos olhos, de como cuidam do corpo a como vão cuidar da cabeça, se vão ficar por cima ou se gostam de ficar por baixo, da quantidade de filhos que vão ter a se vão ser fiéis ou não, do que gostam e do que não gostam de comer, do tipo de sapato que calçam ao comprimento da saia que usam.
Homens e meninos saibam! Não é pelo rosto, tamanho das “ancas” ou através de qualquer outra superficialidade que vocês saberão quem elas são ou o que elas querem. “Muié” tem dia que é fruta docinha igualzinha manga, mas têm outros em que é fera, bicho esquisito que todo mês sangra, com uma mão faz carinho, mas com a boca te arranca pedaçinho por pedaçinho. Ou elas te levantam e te apóiam ou terminam sugando devagarzinho todo seu mel. E isso não é privilégio nem meu e nem seu. Não tem saída, tem que conviver pra saber. E se sobreviver a elas, faça como eu que falo sempre.
Toda obra de arte é um quadrado mágico porque estimula o intelecto, a sensibilidade, a emoção e a libido. É assim que acontece quando um homem ama uma mulher, nessa mistura de corpo e personalidades é que a arte acontece, ele quer saber tudo sobre ela, quer sentir o que ela sente e que ela o faça sentir diferente. Por mais “cabra macho” que o camarada for, pode ter certeza que um dia ele também chora por amor. E de tanto desejo e tesão que elas nos provocam, com todo respeito às outras opções sexuais, mas mulher é bom demais!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mal-me-quer

"Se você me quer, eu não te quero. Mas se eu te quero, cuidado!"
(“Carmen”,ópera de Georges Bizet)

Não era fácil lidar com uma mulher tão dona de si, tão senhora de seu próprio destino, tão livre e cheia de desejos. Para ele as mulheres deveriam ser dominadas, ele estava acostumado com as frágeis, com as princesas que deveriam ser resgatadas. Para os homens, as mulheres são como objetos de seu desejo, não compreendem o tamanho da missão e do destino que um ser feminino recebe de Deus e da natureza. Nós, os homens, em troca de nossa dedicação a elas, queremos  a posse dessas criaturas que tantos nos satisfazem, fascinam e até humilham.Tanto para homens como para mulheres, o amor é puro, cínico, inocente e cruel na mesma medida. É nessa mistura que nos envolvemos na busca obstinada de ser feliz, ás vezes nos perdemos e caímos, ás vezes nos encontramos e subimos.
E lá está ela com seus vestidos e decotes vertiginosos, transgredindo e ampliando horizontes, saltos altos e seu magnetismo entrando pelas narinas de seus perfumes fortes. A fugacidade da vida contemporânea está estampada nas relações humanas, por isso hoje elas beijam tanto e tantos.
A mulher por quem ele se apaixona é um desses pássaros rebeldes que não se podem aprisionar e isso o deixa furioso, que mesmo com toda sua força física, seus presentes e posses, não consegue dominá-la. E seu machismo ferve num caldeirão de ódio em seu coração. É ela a sedutora e não ele, é ela a que chama atenção e não ele, essa inversão de papéis o deixa louco, é como se ela o castrasse. Por isso os homens morrem de medo das mulheres, porque somente elas podem dominá-lo.
A beleza dela não põe a mesa, mas enche os olhos. Apesar de ser perigosa, fazer amor com ela, era como se embrenhar numa mata selvagem e ás vezes cair em armadilhas, em buracos da imaginação, justamente por seu caráter perigoso, é uma femme fatale para todos .
Durante o seu orgasmo tudo é triunfante, e ela diz sussurrando : “Assim eu morro”

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pés



Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.
Pablo Neruda


Amo teus pés, amo a maneira como eles pisam o chão ou de como eles calçados se encaixam perfeitamente em teus sapatos. Fico admirando quando estás deitada na cama de bruços e ergues os dois para o alto e ficas lá balançando, balançando eles como se fosses uma Lolita provocando o professor.
Segundo pesquisadores 8% das mulheres, ou seja, 280 milhões no mundo todo,  rejeitam seus pés. Embora os lavem com carinho e caprichem na escolha de suas pedicures, passem cremes, façam massagens, usem saltos altos abertos ou sandálias rasteirinhas, pintem cuidadosamente suas unhas e façam qualquer coisa para deixá-los macios e lindos.  Assim pés são objeto de repulsa ou de fetiche. A primeira alternativa por motivos higiênicos talvez e a segunda pela libido com certeza.
Os pés podem ter os dedinhos separados lembrando os dedos de uma mão, ou então mais juntinhos, grudados uns aos outros de maneira delicada.Dedos magros, de mulher que demora mais para sentir e também para esquecer, dedos gordinhos de mulher amorosa.Dedinhos cumpridos de quem guarda algum ressentimento, dedinhos curtos de mulher que simpatiza e antipatiza logo de cara com os outros.Pés que palmilham o chão, pegadas luminosas deixadas pelo seu caminhar na escuridão.
Pés que podem ter a superfície cheia de veias ou ser totalmente lisos. Algumas usam tornozeleiras ,bordam neles tatuagem, antes de seus calcanhares redondos, as solas brancas prontas para a massagem, a planta dos pés onde cada ponto é um orgão do resto do corpo.
Amo teus pés nus porque assim despidos não são obscenos, em seus saltos altos, quase aéreos, ou quando descalços e terrenos, desfilam sua graça só reparada pelos que adoram, lascivos, esses seus dois apoios divinos sobre a terra.Amo teus pés ativos de Cinderela Tropical pés calçados seja num scarpin ou em botas, em chinelos ou em tamancos. Não conta pra ninguém, mas por causa dos seus pés, sou teu súdito.
Amo teus pés porque eles me ensinam a caminhar sem precisar tocar no chão.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pernas

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
(Eu te amo- Chico Buarque)

Pernas pra que te quero? Quero das coxas a panturrilha, roliças, encolhidas ou erguidas no ar, quero joelhos nus, tornozelos delicados ou graúdos, pernas com os pelos descoloridos ou elas todas depiladas. Não importa se são grossas ou se são finas, me interessa é que são femininas. 
As pernas são como dois pilares que sustentam o corpo de uma mulher, quando alforriadas das calças jeans podemos notar a sua exuberância, o seu brilho e os seus contornos. Livres elas se movimentam, definem o balanço, dançam e se contraem, mostrando os poucos músculos que numa mulher combinam, os das coxas e os da “batata da perna”.
Como é interessante mulher de vestido, um pedaço da perna descoberto e o resto sugerido pelo balanço do tecido. E as saias e minissaias revelando e expondo as pernas, de meia-calça só um vislumbre, mas nuas, são brilhantes e sedutoras, mesmo quando são curtas ou longas.
Longas como os 123 centímetros das pernas de Ana Hickmann  e os muitos da Claudia Raia, ou mais grossas e morenas como as de Tina Turner, mais fortes e também morenas como as de Beyoncé e Ivete Sangalo e um pouco mais curtas, mais igualmente maravilhosas , como as da atriz Paola de Oliveira.
Pernas cruzadas para sedução, pernas coreografadas como as das dançarinas de cabarés, ou flexíveis como as das bailarinas, pernas com cinta-liga que incendeiam qualquer quarto, ou cobertas por belíssimas botas de couro, por calças jeans folgadas ou apertadas, alongadas por salto altos(simples ou agulha) que dão toque de fetiche ao conjunto todo da obra de arte que é uma mulher.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As calipígias

Li um conto que narrava à história de um camponês que tinha duas belas filhas que se puseram a discutir na rua sobre qual tinha o traseiro mais bonito. Um rapaz que passava, filho de um homem velho e rico, foi escolhido como juiz. Não só se pronunciou a favor da irmã mais velha, como se apaixonou por ela e acabou por levá-la para a cama e contar pra seu irmão mais novo. Este, curioso, foi para o campo, viu as duas garotas e se apaixonou pela mais nova. Quando o pai tentou fazer os dois jovens se casarem com moças da sua própria classe, não conseguiu convencê-los e acabou por aceitar que se casassem com suas camponesas. Ambas as moças foram chamadas de "calipígias".
Daí tive uma idéia.Na vida real escuto todo tempo os comentários elogiosos, só dos homens, sobre Jú(nome fictício para proteger a identidade da bunda, quero dizer da moça!) que trabalha na recepção da empresa e atende diretamente à chefia na parte de correspondências e relações públicas.Ela é como o cartão de visitas de nossa empresa, sempre sorrindo e atenciosa, cheirosa e bem arrumada.O caso é que todo mundo adora vê-la pela manhã dando bom dia, mas na verdade todo mundo quer vê-la é pelas costas.Explico.
Jú é uma morena cor de jambo, cabelão até a cintura, preto, dona de um par de pernas longas, coxas grandes e de um bumbum redondo e empinado. Lembra muito o da Sheila Carvalho em seus tempos áureos. A brincadeira na empresa é que ela consegue carregar uma xícara de café em cima do traseiro sem deixar cair para entregar para a chefia.Em nossos e-mails ao invés de escrever seu nome usamos um símbolo para nos referimos a ela:  (__|__)
Acontece que além de Jú tem a Lú(nome fantasia para proteger a moça).A Lú é uma espécie de assistente da Jú, atende as ligações externas e cuida das passagens aéreas e agendamento de reuniões internas e externas. É loira e usa um clássico uniforme da empresa: blusa branca e calça de tergal azul-marinho bem justa que deixa ver bem suas roupas intimas. Que, aliás, é quase sempre uma tipo asa delta que forma um minúsculo triângulo na frente e atrás.Seu bumbum é menor do que o da Jú, diria, eu e todos homens da empresa, que é outro estilo, que começa numa cintura fina e depois se desenha em curvas suaves como as de Niemayer no fim de suas costas e termina em suas coxas bem torneadas.O nome de Lú em nossos e-mails vem sempre acompanhado de um símbolo  (__Y__) 
A Jú é mais despachada, fala alto brinca com todo mundo e faz questão que brinquem com ela, a Lú faz o tipo ingênua porque quando passa pelos departamentos e o pessoal fica agitado diante daquela visão deslumbrante, ela, com a cara mais inocente do mundo, pergunta o que está acontecendo.
Então para decidir quem tem o bumbum mais bonito da empresa propus uma eleição secreta entre nós, todos adoraram a idéia e cada um escreveu num pedacinho de papel o nome da bunda, quer dizer da moça que achava que deveria vencer. A urna ficava discretamente debaixo da minha mesa, o cesto de lixo de papéis. Acontece que o resultado foi bastante apertado, da eleição, e eu como apurador único ao contar os votos constatei uma diferença mínima a favor da Jú.Porém anunciei aos eleitores que havia acontecido um empate entre elas e que as duas tinham vencido.Achava injusto dar a vitória a uma delas já que as duas mereciam.O bumbum empinado e o bumbum suave.
E as duas ganharam como prêmio uma caixa de bombom cada uma.