Desejo não é pecado

“Amor é o desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado.” (*Robert Frost)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sem espelhos

A única maneira de conseguir olhar para si mesmo sem precisar de espelhos, é conhecendo-se profundamente. Saber quem somos sem se basear nas opiniões alheias, afinal o que os outros pensam ao nosso respeito nem se compara com as nossas certezas plenas sobre o real valor e complexidade interna que formam o autoconhecimento.
O grande desafio de um ser humano não está apenas no seu sucesso enquanto cidadão ou membro de uma sociedade, onde status, poder e dinheiro medem e classificam as pessoas. A maioria das pessoas é rico de orgulho, porém pobre de espirito. Pensam que são importantes pela posse de bens, mas não passam de anomalias, de aberrações espiritualmente vazias. Ter é importante sim, mas não vale nada se inspira arrogância, desprezo e falta de respeito, solidariedade ou compaixão com as outras pessoas.
O processo do autoconhecimento muda a maneira como uma pessoa interage com o mundo e com as outras pessoas, quem se conhece sabe que sua essência é traduzida em pensamentos, desejos, esperanças, frustrações e crenças. Poucos gostam de criticar a si mesmo, pois existe um terrível pavor de descobrir as falhas morais e éticas em nosso próprio caráter.

Então preferem acreditar no que os outros dizem sobre si mesmo e acabam escolhendo os caminhos errados.

sábado, 5 de dezembro de 2015

É preciso cuidar para se proteger

Quão grande a vida humana pode ser? Pequena enquanto estiver presa a posse e ao domínio, porém maior quando se libertar do apego e se entregar a colaboração e a generosidade. Porque o quanto você julga hoje, será o quanto você será julgado amanhã. O quanto você odeia agora, será o quanto você será odiado depois. Mas em compensação, o quanto você ama aos outros neste exato momento, será o quanto você será amado nos dias vindouros. É justo e vale mais do que ouro!

#boanoite

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A voz de quem fala com as mãos

Anseio que eu mantenha a calma mesmo quando tudo a minha volta estiver um caos. Que eu me sinta bem mesmo quando todos meus cabelos ficarem brancos(e que me olhe no espelho e apesar de perceber que envelheci, ainda consiga ver minha beleza refletida em meus olhos, afinal, sonhos não envelhecem). Por isso eu desejo que as pessoas saibam quem sou mais pelas minhas atitudes do que pela minha aparência. Que vejam em mim não um adversário ou um inimigo, mas um companheiro de viagem.
Eu quero ter a capacidade de descobrir o que as pessoas falam mesmo quando elas não dizem. E desejo que as pessoas me ouçam não apenas com os ouvidos, porque a voz de quem fala com as mãos é mais alta quando ouvida com o coração.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O amor é muito maior

Enquanto o desejo mostra os seios, o amor expõe o coração, porque o Tesão é grande, a atração física é enorme e o prazer é uma deliciosa tentação, mas o amor é muito maior...

terça-feira, 3 de março de 2015

Se isto é uma vida?

O grande desafio é nos manter vivos nesses tempos mortos, é não deixar sangrar de novo esses nossos corações cicatrizados. Nós, os sensíveis, um dia teremos nossa vez, nossa chance de mostrar ao mundo que sentimento é o único caminho para a luz. Sairemos das nossas jaulas antes que seja tarde demais, não seremos nunca mais vistos como bobos, mas com admiração pela nossa breve, porém intensa existência, que acorda os homens e adormece os meninos. Que encanta as mulheres e afaga as meninas.
É por isso que eu tenho comigo um segredo e uma oração. O segredo eu não posso contar, mas a oração canto para me salvar: Antigamente eu era eterno, passei a ser efêmero quando deixei de crer no infinito. Por isso peço que volte ao meu pensamento, com mais força que a desesperança, a certeza que existo para cumprir uma nobre missão. A confiança que meu caminho por mais torno que seja me levará exatamente onde tenho que ir. Peço que minha mensagem possa ser levada pelos anjos aos ouvidos de Deus. E o bater de suas asas eu possa sentir toda noite antes de dormir.”


(Neo Venturni – ou outra maneira de dizer que não sou eu)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O prazer é nosso

Lascívia, substantivo feminino, significa propensão para a luxúria, sensualidade exagerada, excitação, tesão.
O erotismo é uma das maiores expressões do desejo sexual humano, é algo não muito explícito , tem haver mais com o charme, é o bel-prazer que se materializa mesmo sem o toque, muitas vezes não requer o contato físico, uma fotografia ou mesmo uma imagem mental detona estímulos capazes de excitar uma pessoa.
Como se trata de um estímulo  visual, a raiz moderna do erotismo vem do cinema americano do inicio do século XX, as belíssimas musas ajudaram a criar no imaginário popular os mitos da sensualidade feminina que seduz os homens como o açúcar faz com as abelhas.
A personagem de animação Betty Boop foi um dos ícones do erotismo moderno, criada em 1930 ela tinha feições caninas e era apenas a namorada de um cachorro em um curta animado. Sucesso instantâneo transformou-se logo em protagonista, as orelhas de animal deram lugar a brincos de argola e os fãs descobriram que, ali, havia uma mulher de charme e ousadia. Com seios marcados, cinta-liga à mostra, lábios provocantes e voz inspirada em cantoras de Hollywood , em especial Helen Kane, da canção “Boop Oop a Doop” que foi o motivo do seu nome de batismo.
Sexo vende e muito, por isso a imagem da mulher sexy e símbolo sexual é explorada como um produto para dar satisfação aos anseios masculinos por sensualidade, em contrapartida com o advento do feminismo, mais tarde os homens também foram usados como alegorias do desejo feminino. A derivação do erotismo em pornografia acabou desvirtuando o propósito da insinuação como um meio suave da sedução, a explicitação do sexo tira um pouco da graça do erotismo por escancarar demais, pois a fantasia em matéria de sexo se parece muito com brincadeira de gente adulta.
O simbolismo sexual ajuda a criar padrões de beleza.e a direcionar os comportamentos das pessoas, cabelos loiros e sensualidade, o tamanho dos seios, os saltos, as saias, os músculos  e tudo mais que envolver a indumentária e o corpo, a beleza é uma das maiores preocupações de um ser humano, talvez porque todos nós queremos ser notados de uma maneira ou de outra.
Na galeria das grandes musas não-americanas temos:
Brigitte Bardot tinha um olhar insinuante ,um enorme “sex appel” pelo conjunto do corpo todo, cabelos loiros e despenteados, um misto de ingenuidade e leviandade, uma mistura fascinante da ninfeta com a femme fatale.
Catherine Deneuve além de ter sido belíssima no esplendor de sua juventude, ainda se conserva esplêndida e em forma do alto dos seus 63 anos , é um belo exemplo de como se envelhecer bem
“A bela da tarde” é um dos seus filmes mais famosos, filmado em 1967 abordava um assunto já bem avançado para época.A história de Séverine, jovem rica e infeliz que procura um discreto bordel para realizar suas fantasias sexuais e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar.
Dona de um intenso magnetismo que atrai os olhares tanto dos homens que a desejam como das mulheres que a admiram , além da sensualidade possui um enorme talento dramático que une a beleza contemplativa à admiração pela sua capacidade e inteligência.
Embora a beleza não seja um privilégio de todos, cada um de nós possui algo de belo que não é próprio somente aos olhos, mas que transcende conceitos estéticos, como uma formosura que vem de dentro pra fora, um encanto pela sinceridade das palavras, uma atração pela generosidade de um gesto ou mesmo um fascínio pela simplicidade da doçura que trata outros “"alguéns"”.
(Texto escrito em 2005)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

50 tons de cinza – ou como as pessoas desconhecessem uma as outras

Uma das grandes “verdades” da vida é que as pessoas dizem uma coisa ou atuam de uma maneira perante os outros, mas longe dos olhos públicos fazem muita coisa diferente. Ou se se não fazem, pensam diferente do que dizem pensar. Isso equivale dizer que a hipocrisia é o que mais comum encontramos a respeito de “pessoas”. Fingem ter ou não crenças, virtudes e sentimentos que na verdade não possuem. No fundo todo mundo sabe que, o que a cabeça pensou, se você não disser, ninguém o saberá jamais. E para se proteger, resguardar e brindar tem a falsidade do olhar e a mentira da boca. Fosse-nos possível ler o pensamento um dos outros, assim como se lê nessa tela, ficaríamos horrorizados com o que passa na cabeça da humanidade.
Transpondo essa hipocrisia para o filme de maior sucesso na atualidade, “50 tons de cinza”, notamos que o sucesso do livro e do filme ratificam que nosso progresso tecnológico não se traduz em evolução social ou avanços na forma de pensar.  Apesar do Ipod, Ipad e Smartfones ainda vivemos numa sociedade provinciana e culturalmente repressora dos desejos femininos. O filme e o livro reforçam tudo aquilo que a liberação sexual feminina sempre combateu desde os anos 60.
Porque uma estória como essa, onde o controle que um homem poderoso ou (mais) seguro exerce sobre uma mulher insegura ou fragilizada não fica só na ficção, ela traduz a realidade oculta e que muitas pessoas pensam ser o certo. Ainda existem maridos ou namorados que controlam desde a roupa até o que suas namoradas ou esposas podem conversar. E essas mulheres acham esses relacionamentos abusivos, perfeitamente normais. E muitas vezes incentivadas por suas próprias mães. O frenesi causado por “50 Tons de Cinza” é mais uma evidência de que ainda achamos interessante – e até tentador – que uma mulher se submeta a um homem para conseguir algo em troca. Christian Grey é mais do que um personagem que gosta de sexo selvagem. Ele é o “bom partido” que muitas mulheres (ainda) querem agarrar.

Mas não admitem.