Desejo não é pecado

“Amor é o desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado.” (*Robert Frost)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Índice


"As mulheres são livros, e os pés são o índice."
Nelson Rodrigues

Não sei exatamente quando esse meu gosto pelos pés femininos se iniciou, só sei que hoje os pés de uma mulher são poderosos indutores do meu desejo. O estado dos calcanhares, as curvas, os dedos, as unhas e o sapato que ela calça. É mais do que um simples fetiche, ou um parcialismo, é pelos pés que uma mulher começa, como um índice que indica as surpresas, os mistérios e os prazeres que estão lá em seu corpo.
É um voyeurismo que pratico todos os dias, basta ver os pés de uma mulher para imaginá-la nua, pode ser uma indecência, um indecoro, mas que eu posso guardar somente comigo, vejo os pés e sinto a sua nudez em plenitude, os dedos são o indicativo do bico dos seios e a cor dos pés ,da pele oculta pelas roupas.Os pés são uma arma, um poder feminino sobre nós homens. Na Grécia, quando o segundo dedo do pé era o mais longo, simbolizava os poderes masculinos das deusas. As deusas virgens sempre eram representadas cobrindo seus pés para proteger sua castidade, pois eles eram considerados partes extremamente íntimas. A exposição deles era entendida como equivalente a uma proposta indecorosa.
A moral é os bons costumes são driblados pelos pés femininos, porque os pés de uma mulher são naturalmente obscenos, expõe a mulher todinha, são o indicativo de seus recantos mais íntimos e isso hoje em dia é normal, principalmente nesse verão escaldante, onde você for poderá ver a profusão de pés em sandálias abertas. A indecência liberada, estará onde quer que haja uma mulher a expor ingenuamente seus lindos pezinhos.
Há no meu desejo por pés além do desejo, um carinho, um respeito, como se fosse eu aquele que procura a princesa que perdeu seu sapatinho de cristal ao descer as escadarias do palácio, e que seja eu ao encontrá-lo que possa beijá-los acariciá-los, e que eu seja como Neruda, porque quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés. E se amo os teus pés 
é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, até me encontrarem. 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias - Parte VI



O encontro

A psicóloga conheceu o arquiteto lá em Maresias, na época deles tinha um bar da moda que todo mundo gostava de freqüentar. Os jovens vinham de São Paulo descendo a serra já pensando na azaração, nas bebedeiras e na diversão do lugar.A turma do arquiteto estava quase todos os finais de semana por lá.Praticavam o surfe e a praia sempre foi um dos melhores lugares do país para se surfar.E ele tinha casa naquele paraíso.Já a psicóloga vivia numa família repressiva e só conseguia sair quando os dois irmãos mais velhos do que ela a convidavam pra ir.Foi num final de semana desses que eles juntaram uma turma legal e alugaram uma casa praia.
A casa era bem precária, tinha goteiras, os carros atolavam na garagem, tinham baratas saindo dos ralos, as lâmpadas todas queimadas e nem tinha cama suficiente pra todo mundo.Mas naquela época ninguém ligava pra conforto, todo mundo queria era diversão, e o que poderia parecer um programa de índio logo se transformava em entretenimento.Então saia todo mundo matando as baratas, as meninas se uniam para afzer uma faxina na casa e os rapazes iam dando um jeito nos “defeitos” da casa.No final dava tudo certo e todo mundo se divertia saudavelmente.
A turma era legal, além dos irmãos dela e das namoradas, tinha outras moças e outros rapazes, mais ou menos umas quinze pessoas numa casa onde cabia no máximo oito. Apesar do status de “casa na praia” na verdade a casa ficava bem longe da praia, todo mundo tinha que ir de carro pra poder chegar até ela. Durante o dia todo mundo começava espremido debaixo dos guarda-sóis para se proteger do sol abrasador de janeiro no Litoral Norte, mas a medida que tomava-se caipinha e bebia-se cerveja, rolava um relaxamento total,alguns se aventuravam a dar voltinhas pela praia, outros jogavam frescobol e tinha ainda aqueles que iam formando uma rodinha de conversa na água do mar onde se falava animadamente sobre os mais variados assuntos.O resultado é que de noite antes de tomar banho estava quase todo mundo com insolação.E comprava-se tubos e tubos de um creme que aliviava as queimaduras do sol.
Quando chegava a noite, mais ou menos lá pelas onze e meia, era a hora do grande evento, o bar Shaolin era o grande bar da moda na praia naqueles anos.Um bar que começou como um quiosque e que de fato durante o dia era um quiosque, mas a noite se transformava em balada.A juventude dançava e bebia literalmente com o pé na areia porque a areia era o piso do lugar envolta do bar. E tinha música, geralmente era um Dj que escolhia a trilha sonora com estilos como a surf music ou Reggae, tocava bandas como o Australian Crown , Midnight Oil, Peter Tosh, Yellow Man, Bob e Zig Marley.Naquela década foi o surgimento da influencia baiana na Música Popular Brasileira, e a Daniela Mercury estava em alta e fazendo muito sucesso.A mulherada turma da psicóloga adorava e faziam até coro com a música da baiana. “Lágrimas nos olhos, de cortar cebola.Você é tão bonita.Você traz a coca-cola eu tomo.Você bota a mesa, eu como, eu como.Eu como, eu como, eu como...você! Você não está entendendo.Quase nada do que eu digo.Eu quero ir-me embora.Eu quero é dar o fora.E quero que você venha comigo...todo dia, todo dia!”
E essa influencia dos tambores baianos também atingia o que a moçada bebia.Uma bebida chamada “capeta” era moda.Um monte de coisa misturado com água de coco que dava um “fogo” absurdo. Na casa alugada quando se aproximava a hora de todo sair, a bagunça se instalava. Era uma mistura de perfumes, uma algazarra da mulherada experimentando brinco uma da outra, vestido, colar.O visual era sempre naquele estilo mais hippie, saias indianas longas e coloridas, muitos brincos, colares e sandálias rasteiras. Do lado dos homens tudo mais sossegado, alguns faziam churrasco ouvindo Jorge Benjor ou Tim Maia, outros bebiam cerveja enquanto outros ficavam roncando no sofá e até mesmo no chão.O pessoal só ia tomar banho bem em cima da hora.A roupa era simples, era só usar um desodorante, algumas gotinhas de perfume, colocar uma bermuda, pendurar uma camisa no pescoço e calçar um chinelo.E pronto, estavam todos prontos pra night.
Enquanto isso na Casa de Maresias o Arquiteto e seus amigos surfistas bebiam wisky com pedras de gelo feitas de água de coco. Sentados na varanda ao som, bem alto, de Bob Marley, comendo churrasco preparado pelo caseiro e pela sua esposa que era uma espécie de empregada da casa.Dois deles fumavam maconha nos fundos e riam a beça um da cara do outro.A casa de Maresias nesses finais de semana era território livre para as transgressões daqueles jovens.Já tinha até um quartinho preparado para tanto.Quem conseguisse descolar sua gata podia usá-lo.
No Shaolin naquela noite de janeiro a lua brilhava soberana sobre o oceano atlântico de Maresias e suas ondas iluminadas por esse luar, de tão brancas pareciam neve.A música que tocava naquele momento, unidade indivisível do tempo, era “You are me sunshine” , todos dançavam animadamente naquele passo do Reggae, onde se levanta uma perna de cada vez com um salto no ar, sem esquecer dos braços balançando no ritmo, o jogo de luzes projetava as cores amarelas, azuis e vermelhas em todo mundo.A psicóloga estava com um vestido longo, cor de creme, tranças em seus cabelos loiros, o arquiteto estava de bermuda amarela.Em a música alta e dançante, ou a bebida fazendo efeito, e nem porque cada estava dançando um numa turma diferente impediu que eles se conhecessem.
Seus irmãos eram ciumentos e bravos, mas estavam ocupados demais com as respectivas namoradas para prestar atenção na irmã. Foi naquele momento, unidade indivisível do tempo, que o Arquiteto viu uma moça de pele branca, grandes tranças loiras e de vestido creme sorrindo.Tinham várias outras moças lindas em toda parte.Mas aquela em especial, no meio de todas aquelas beldades, foi que lhe chamou atenção, naquele momento.E ele foi lá, movido pela bebida e pela atração, dançar pertinho dela.A psicóloga estranhou, mas depois achou engraçado aquele marmanjo de caracóis nos cabelos dançando e fazendo graça perto dela.E sorriu.E quando ela sorriu ele sorriu também porque sentiu que bateu, bateu algo entre eles.Não disseram uma palavra, só ficaram lá se olhando e rindo.A música terminou, as amigas dela a puxaram e ele sem graça voltou pra sua turma que ficou tirando sarro da cara dele como se aquilo tivesse sido um fora.Mas não foi.
Não foi porque a psicóloga não tirava mais o olho dele, disfarçava, mas tinha se sentido atraída pelo cara de cabelos com caracóis.E ele do seu lado também tinha ficado interessado pela moça de grandes tranças loiras.E quando ela foi ao banheiro ela a seguiu.Conversaram, com um “oi”, os dois riam sem parar.E o papo foi curto, com frases como “eu te achei linda”, “obrigada, são seus olhos”, “ você vem sempre aqui?”, “adoro o Shaolin”, “meus irmãos são ciumentos podem nos ver juntos”, “vamos pra praia, tem uma lua linda brilhando lá”, “você dança bem reggae”, “queria te beijar”, “não sei se devo”, “deve,  você vai adorar”. E bem debaixo de um pé de abricó, que aliás ainda está lá, foi que eles se beijaram.

A casa de Maresias - Parte V


As meninas

O arquiteto estava cercado por três mulheres fortes e geniosas. A mais nova Lorena sentia ciúmes da proximidade da irmã Clarice com ele. Isso a revoltava, a deixava chateada. Já Clarice lutava com a mãe pelo poder de forma velada. Não a obedecia.Freqüentemente usava roupas decotadas demais e tinha uma tendência se tornar promíscua embora guardasse em si ainda um certo pudor.A mãe, a psicóloga, se sentia muitas vezes infeliz dentro daquele casamento.Vive um conflito interno entre sua parte Amélia, influenciada  pela mãe de família italiana, e sua parte libertária influenciada pelo pai.A convivência dessas três mulheres se intensificava na casa de Maresias quando durante o verão passavam alguns meses juntas.Clarice desde muito cedo tinha criado um estilo próprio, muito vaidosa e independente, dispersa, ativa, extremamente extrovertida e que fazia amizades facilmente.Já Lorena era mais retraída, mais obediente e concentrada.Parecia sempre muito focada nos seus objetivos e suas amizades eram bem poucas.
A psicóloga justamente por ser psicóloga tentou criá-las de uma maneira perfeita, segundo o que aprendeu na faculdade e da observação da vida prática e de seus pacientes. Tentou não interferir em suas personalidades e sempre buscou ser compreensiva. Mas nem sempre teve muito tempo pra isso, sua carreira logo cedo deslanchou, ela trabalhou muito anos numa empresa em que prestava consultoria e depois abriu seu próprio consultório.Apesar de pouco tempo com as filhas sempre foi uma mãe muito presente.Sempre que possível comparecia as reuniões, ligava para elas durante o dia e a noite sempre conversava com as crianças durante o jantar.Faziam as lições de casa juntas e aos finais de semana o tempo todo estava por perto.
Desde quando as meninas eram pequenas sempre houve alguém para cuidar delas enquanto seus pais trabalhavam. Naquela época eles não queriam babás, a prima Rita, prima da psicóloga, foi a primeira que cuidou delas.A prima Rita era uma mocinha ainda quando ajudou a psicóloga cuidar da Clarice bebê.As duas avós ajudaram bastante também, mas foi a prima Rita que segurou a barra.Vinda do interior, a prima Rita quase tinha virado freira, e só não virou pra cuidar da Clarice.Prima Rita é dessas mulheres que só riem, pra ela estava sempre tudo bem, tudo bom, nada a chateava, nunca ninguém a viu de mau humor ou contrariada.Quando Lorena nasceu a prima Rita ainda estava lá.Na casa de Maresias foi ela quem organizou os murais de foto e uma espécie de exposição de desenhos infantis das irmãs desde quando elas ainda eram crianças em idade pré-escolar.Os desenhos que ficavam pendurados na porta da geladeira do apartamento de Perdizes eram cuidadosamente transportados por ela para casa de Maresias onde ela num dos quartos organizava nas paredes uma exposição.O lado “C” era o de Clarice e o lado “L” o de Lorena.Prima foi embora quando as meninas cresceram e passaram a estudar quase que o dia todo.Virou freira.
Na casa de Maresias cada uma tinha seu quarto. O quarto de Clarice estava sempre bagunçado, o de Lorena um pouco mais organizado.Cada uma tinha suas bonecas e seus brinquedos separados em São Paulo, mas na casa de Maresias tudo se misturava.O lugar preferido da casa das meninas, quando ainda eram pequenas, eram os dois balanços que o avó, pai da Psicóloga, tinha feito pra elas no fundo da casa.Eles eram feito de cordas vermelhas, um assento era branquinho o outro azul.O azul era o de Clarice, o branquinho de Lorena.Ficavam dependurados no galho de uma velha árvore que parecia estar lá mesmo antes da construção da casa.Fora preservada pelo outro avô, o pai do Arquiteto.As duas passavam lá horas se balançando cada vez mais alto, cada vez mais alto.E a prima Rita paciente que só ela, balançou muitas vezes as meninas até quase sua completa exaustão.
Quando as meninas foram uma vez numa feira de animais adoraram um pintinho e fizeram o Arquiteto comprá-lo e o levaram para casa. Chegando lá a psicóloga quase pirou, brava interpelou o Arquiteto e as filhas: “Onde já se viu criar um pintinho em apartamento?”. E ela estava certa porque o pintinho foi crescendo no apartamento até um dia que a bagunça que ele fazia e o cheiro de seus excrementos não davam mais para ser tolerados na lavanderia do apartamento em Perdizes. E o pintinho foi morar lá na casa de Maresias perto do muro dos fundos, do lado da casa do caseiro. Depois veio o Ralf, um cachorrinho da raça Labrador simpático, que as meninas ganharam de um amigo do pai do Arquiteto.Enquanto ele era pequenininho tudo bem, era uma gracinha, mesmo quando fazia cocô e xixi no chão do quarto das meninas, mas teve um dia que ele rasgou o sofá branco da sala de estar que era o xodó da psicóloga.Ela surtou e despachou ele para a casa de Maresias no final de semana seguinte.E o cãozinho foi morar num canil que o caseiro construiu especialmente pra ele lá.Teve ainda um porquinho-da-índia, o Tuti, que também foi morar na casa de Maresias porque vivia fugindo e freqüentemente era encontrado no banheiro da psicóloga que tomava susto todas as manhãs com ele porque o confundia com um rato.
Lorena desde pequena se adaptava facilmente a casa de Maresias, dormia tranqüila e calma.Já Clarice demorava alguns dias para se aclimatar ao calor da praia.As duas adoravam brincar na areia e aprenderam a nadar bem cedo na piscina da casa.No mar se deixassem, passavam o dia todo brincando bem na beirinha, já que o mar de Maresias é bem bravo.Clarice desde pequena gostava de fazer castelos, já Lorena gostava de fazer buracos.As duas sempre brincavam juntas, mas Clarice sempre quis comandar as brincadeiras.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias - Parte IV


A psicologia 

A psicóloga ia para a praia com a família desde que era um bebezinho, sua primeira experiência com o mar foi quando ainda tinha três meses de vida, seus pais a levaram para se banhar nas ondas brancas do oceano atlântico após descer a Tamoios por algumas horas. E ela parecia gostar porque gritava de agitação com a água fria e seus irmãos naquela algazarra doida em volta dela. A psicóloga era filha de um pai comerciante vindo do interior, Itu, e de mãe italiana da Mooca. Eram quatro filhos, todos homens, só ela de mulher.Nascida numa casa quase que inteiramente masculina teve que se virar desde cedo para garantir seu espaço entre os homens.Enquanto que os três dormiam todos nos mesmo quarto, seu pai fazia questão de manter um quarto só pra ela, dizia “mulher tem que ser protegida”.E aquele carinho do pai com ela, aquela sensação de cuidado a acompanha pela vida toda.Caso contrário teria crescido insegura desde a infância.Por ser mulher e ter sido criada junto com um monte de homens aprendeu as vivências dos dois lados.Mas sua mãe sempre foi uma mulher que a cobrava demais, era mais ligada ao filhos homens, pegava demais no pé dela, exigindo muito moral e psicologicamente da psicóloga .Algumas dessas cobranças a fizeram buscar compensações na vida adulta.Sua conduta amorosa, por causa de alguns déficits de afetividade com a mãe, poderia ter sido uma sucessão de tentativas frustradas de estabilização emocional.Sorte a dela ter encontrado logo o Arquiteto.
Porém antes de conhecê-lo teve um relacionamento sério, namorou durante uma época um rapaz que ainda morava com sua antiga esposa. Ele dizia que morava com ela ainda só por causa do aluguel que eles dividiam. Foi um relacionamento conturbado, ela ainda muito jovem teve que enfrentar uma barra bem pesada. O cara era um tremendo de um Pilantra e enganou ela direitinho. Estava casado e a mulher sabia das suas pilantragens, mas não conseguia largá-lo.A psicóloga  na época não era mais ingênua, sabia que aquele homem não valia nada, mas se sentia atraída por ele.O pilantra tinha um tipo “bad boy”, cara de sem-vergonha mesmo, barba quase sempre por fazer,sempre sem camisa ou de camisa aberta, esses tipos que muita mulher gosta porque acha que homem tem que ser malandro e ter cara de mau. Perdeu a virgindade com o pilantra aos dezesseis anos.Naquela época estava louca para “pertencer” mesmo a alguém.E ele apareceu na época do seu no segundo colegial, quando começava a sair e ir para festas.O Pilantra a conheceu numa dessas festinhas de bairro.Ele tinha um carro envenenado, rebaixado, vidros fumês e som possante.Aquele aparato todo seduzia as menininhas de bairro em Itu.Ficavam todas suspirando por ele quando passava pela porta das casas que organizavam aquelas festinhas juvenis.Imagina o Pilantra tinha quase quarenta anos e ficava rondando feito tubarão aquelas ninfetinhas de quinze e dezesseis anos louco para “papá-las” todinhas.
E numa noite quando a futura psicóloga tinha bebido demais, tomou coragem e  aceitou dar uma volta com ele pelo quarteirão. Mas o que era um quarteirão foi pela cidade toda. Pediu um beijo e ela deu, pediu mais, porém ela pediu um tempo para se preparar.E o pilantra certo que tinha abatido uma nova preza esperou paciente.Esperou até um sábado que ela precisava fazer uma visita a avó que vivia na Mooca em São Paulo.Falou para os pais que ia de ônibus, mas foi com ele.E se entregou pro pilantra num motel da Marginal do Tietê. Até hoje quando ela passa por ali ainda dá um sorrisinho de canto de boca. Porque doeu muito, doeu pra caramba! Ela devia ter um estreitamento vaginal, ou então um hímen demasiado resistente. Porque o Pilantra apesar de toda banca que botava, não era tão bem dotado assim. Mas não falaram dessas coisas e tudo foi se ajeitando, até que a dor foi aos poucos sendo substituída pelo prazer.
Seu caso com o Pilantra durou alguns meses , a esposa do Pilantra chegou até a virar amiga dela como uma tentativa desesperada, ou uma falta de auto-estima absurda.Na cabeça dela ficando amiga da rival elas poderiam juntas tramar contra o Pilantra uma espécie de revanche, de plano para destruí-lo, e que ele destruído a ninfeta cairia fora e ela, a esposa, ficaria com seus restos porque ela o amava de qualquer maneira.
O Pilantra vivendo nos melhores do mundos, vendo sua esposa se aliar a sua amante-ninfeta, teve o desplante de propor que os três fossem pra cama juntos.A psicóloga quase aceitou, mas foi a esposa do Pilantra que indignada com aquela situação ameaçou contar pra família toda dela o que estava acontecendo se ela não se afastasse de seu marido.Com medo das conseqüências a psicóloga colocou ponto final naquele relacionamento.O Pilantra ainda tentou, mas ela percebeu que aquilo era mesmo besteira e que não sentia mais vontade de se aventurar daquela maneira.Há relatos que em Itu até hoje existe um Pilantra, agora com quase sessenta, caçando ninfetinhas.E ainda está casado com a mesma mulher.
Pouco tempo depois a família da psicóloga se mudou para São Paulo, o irmão mais velho iria se casar, o segundo estava se formando, ela iria terminar o colegial num colégio mais forte e o caçula iria tratar de uma doença pulmonar crônica que tinha desde que nasceu. Foram morar na Mooca juntos com os pais de sua mãe e mais repressão a psicóloga sofreu, porque eram todos moralistas e reacionários naquela família.
Seu pai tinha falido em Itú, esse já era o terceiro negocio dele que não dava certo, as ele nunca desistia.Tomou um empréstimo com um amigo e começou um novo negócio nas vizinhanças.No inicio todos ajudavam, até o irmão mais velho que iria se casar com uma advogada filha de homens ricos, estava lá dando sua mão-de-obra.A mãe era uma lutadora, mulher que falava alto, que fazia amizades fácil, mas que era extremamente controladora.No fundo era ela quem mandava em todo mundo.Já seu pai era um sujeito calmo, ponderado, parecia até mesmo calcular as palavras que iria falar.E a psicóloga era apaixonada pela maneira de ser de seu pai, porque foi ele que sempre abriu as portas do mundo para ela.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A casa de Maresias – Parte III


A arquitetura

O arquiteto veio de uma família abastada, nunca soube o que era dificuldade na vida. Dentro da família que havia constituído apesar de ser o grande provedor, tinha que se conformar de estar à sombra das duas filhas e da esposa. No fundo ele gostava de desfrutar do domínio que elas exercem sobre ele. Já a sua relação com seu próprio pai, Arquiteto também, era de admiração e de ódio. Admiração pela forma como seu pai havia construído a vida.Mais ou menos mesmo como um bom prédio,reforçada estrutura, alicerce forte, boas colunas e pé direito alto.Ainda na faculdade de Arquitetura, foi se erguendo, erguendo até que conseguiu construir uma empresa sólida.O ódio vinha da profunda humilhação que sofria quando seu pai dizia que ele não era um homem de verdade, era apenas uma imitação, um arremedo.Apesar de nunca ter dito, ele sabia que seu pai tinha certeza que o filho não tinha os mesmos princípios morais que os seus.Que não era um sujeito resignado como ele era.E que não tinha o mesmo caráter e disposição para ser firme diante das tentações da vida.Seu pai desde os tempos de faculdade o advertia sobre suas falhas, sobre sua maneira de lidar com a vida de maneira tão superficial.
Como se você não tivesse jamais cometido erros, sua vida não é perfeita como s prédios que projetou pai.Tiveram essa conversa na varanda da casa em Maresias uma vez.O pai ficou sem falar com alguns meses.Não gostou de ter ouvido o que o que o filho arquiteto sentia por dentro, encarou como um insulto, como uma ofensa e não um desabafo.A verdade é que a vida do pai do arquiteto e a sua se parecem em alguns detalhes, como se família fosse ao mesmo tempo uma herança maldita e abençoada.
A mãe do arquiteto foi sempre mãe do inicio ao fim. Uma mulher que hoje em dia parece pertencer não só a outro tempo, mas a outra dimensão.Nascida numa família também de mulheres, a mãe do arquiteto tinha outras duas irmãs.E dentre as três ela foi a única que se casou, as outras duas ficaram cuidando da mãe do pai até que eles morressem já velhinhos.Ela era de um tempo que mulheres não estudavam ou então se dedicavam a serem interessantes para que fossem desposadas por um homem que valesse a pena.Pois ela foi contrária e rebelde a tudo isso.
Estudou a contragosto dos pais, foi morar na casa de uma tia que a ajudou até conseguir passar para a universidade.Foi lá que conheceu o pai do arquiteto, amor a primeira vista, coisa de cinema mesmo.No pátio ele olhou para ela uma vez e depois não conseguia mais tirar seus olhos jovens dela.Ela por sua vez, de gênio forte, fingia não estar sendo observada, mas parecia gostar daquela corte visual que estava recebendo do distinto rapaz.
O pai do arquiteto não resistiu, e ainda na primeira semana das aulas estabeleceu contato com ela. Primeiro conversavam sempre, depois eram visto sempre juntos. E no próximo passo passaram a fazer parte do mesmo grupo de estudos.Numa tarde ele sem querer tocou nas mãos dela.A mãe do arquiteto sentiu algo estranho, uma sensação de medo e de prazer ao mesmo tempo.De noite antes de dormir e depois de fazer suas orações, teve a certeza que ele era o homem de sua vida.
Numa aula de desenho, o pai do arquiteto fez um esboço, uma espécie de caricatura com as formas, com a face sorrindo, e com os cabelos esvoaçantes de uma mulher.Tirou nota máxima pela obra.E no dia seguinte o entregou a mãe do arquiteto com uma dedicatória simples: Querida , obrigado pela inspiração.A mãe do arquiteto ficou vermelha como uma pimenta.E ele sorrindo de longe notou que aquela era a mulher de sua vida.Esse desenho está até hoje na sala de jantar da casa em Maresias.
O primeiro beijo deles foi num aniversário de um amigo em comum.O pai do arquiteto pediu a honra de uma dança.E foi naquela dança, de mãos coladas e de olhos fixos um no outro que a magia entre eles tomou forma.Ao final da música, o bolero “Tú Me Acostumbraste”, os dois de olhos fechados uniram seus lábios pela primeira vez.
O namoro começou já no dia seguinte, ele queria falar com os pais dela, mas ela mesmo nem falava com eles já tinha muito tempo.Falou com a tia mesmo dela que consentiu com muito bom gosto.Ficou orgulhosa da sobrinha e dizendo ser o moço um bom partido, um moreno educado e cheiroso, segundo suas palavras já amareladas pelo tempo.Mas mesmo com a simpatia da tia, o pai do arquiteto nãos se deu por satisfeito e promoveu a reconciliação da filha com os pais.Neste mesmo dia pediu permissão para namorá-la.Os pais dela no inicio não concordaram.Foram precisas muitas visita e paciência para que então aos poucos ele fosse aceito por eles.
Porém, ele e a mãe do arquiteto tiveram uma noite de amor antes do casamento, foi por causa do vinho de um jantar de confraternização ainda no segundo ano da universidade. E foi naquela noite que um filho foi concebido. Grávida a mãe do arquiteto teve que abandonar a universidade.Foi uma pequena morte pra ela no começo, mais depois novamente uma alegria poder ser mãe pela primeira vez.
Casaram-se com ela grávida de três meses, a barriga nem aparecia, e felizes contraíram o matrimônio numa velha Igreja na Avenida Ibirapuera.Mas antes que a gravidez terminasse a mãe do arquiteto teve complicações e acabou perdendo o bebê antes que ele nascesse.Arrasados eles passaram maus bocados juntos chorando todas as noites na primeira casa em que viveram na Freguesia do Ó.A dor só aumentou ainda mais a união entre os dois.
Só depois que seu marido se formou e quando ele já tinha uma empresa constituída é que ela engravidou do Arquiteto. Passou a gravidez toda indo todos os dias a igreja pedindo proteção para seu bebê e que ele nascesse saudável.
E assim nasceu o Arquiteto.

A casa de Maresias – Parte II

Jussara

A família passava as tarde de sol entre banhos de mar, castelos de areia, guarda-sóis, livros e grandes copos de caipirinha. As noites na casa de Maresias eram sempre movimentadas, outros casais vinham visitá-los, amigos de São Paulo que também passavam as férias de verão por lá. As festas eram regadas a muita cerveja e música.As meninas já adolescentes ficavam logo entediadas e como tinham a sua turma saiam logo para as baladas.Na verdade pequenos barzinhos perto da praia repletos de adolescentes barulhentos e hiperativos como elas.
A casa contava com alguns empregados, duas moças que cuidavam da arrumação dos quartos e eventualmente ficavam até mais tarde para ajudar a preparar comes e bebes também. Uma terceira trabalhava como cozinheira. Além do caseiro Silvio que morava na casa dos fundos e cuidava da piscina, dos jardins e de toda conservação, manutenção e segurança do imóvel. Só as paredes da casa de Maresias sabiam que o casamento desgastado era bonito por fora como a fachada da casa, mas muito frágil e não tão sólido por dentro.Os dois já chegando aos quarenta, apesar de jovens e bonitos, lutavam para se sentir desejáveis.
Clarice é uma menina precoce, vive um conflito velado com a mãe psicóloga que parece sentir ciúmes do pai com ela. A mãe se sente incomodada com a relação tão próxima deles. Do fato dela ainda se sentar no colo do pai, da maneira com ela a beija ou dá um tapinha no bumbum da filha. Mas a malícia só está na cabeça dela.Clarice descobre na casa em Maresias toda a sua sexualidade.Com o mesmo João que deu o primeiro beijo perde a virgindade. Aos dezesseis se sente mulher e não mais menina.
Por detrás do sorriso alegre do pai, o Arquiteto, se esconde um homem triste, apesar do sucesso profissional ele se sente fracassado como marido.Vive tentando resgatar seu casamento com a mulher, mas não sabe muito bem como fazer.Já teve alguns casos, inclusive trouxe uma delas, Berenice, para a casa em Maresias.Foi quando a mulher e os filhos viajaram para a Flórida nas férias de Julho.Um outro segredo da casa de Maresias.O caseiro Silvio fingiu que não viu.O arquiteto depois do final de semana deixou cem reais debaixo da porta dele.Silvio entendeu o recado.
Os gêmeos Mauro e Murilo viviam tentando chamar a atenção, queriam conquistar seu espaço e a consideração dos pais nessa família cheia de conflitos ocultos e que eles ainda não entendiam. O casal trabalhava demais e pouco participava da educação dos dois. Era a babá Jussara que cuidava deles.Jussara ainda com seus dezoito anos tinha vindo do interior de Minas, da cidade de Monte Carmelo, direto para São Paulo.No inicio foi um choque pra ela ter saído de uma cidade pequena e pacata com quinze anos para uma metrópole como São Paulo.Sua tia Maria trabalhava com a família do casal por mais de vinte anos e quando a baba antiga pediu demissão depois que ficou grávida ela indicou sua sobrinha.A menina sempre falava que queria sair da casa dos pais para conhecer o “mundo”.Mas o que encontrou era bem maior do que sua cabeça imaginava.Cuidar dos gêmeos não era fácil, eles tinha uma natureza bastante indócil, pareciam sempre irritados, mas aos poucos elas foi se adaptando a eles e conquistando a confiança e o gosto da patroa, a psicóloga.Até então nunca tinha namorado, aliás, Jussara era virgem quando chegou a São Paulo.A psicóloga sugeriu que ela estudasse para terminar o ensino médio que ela havia abandonado algum tempo antes.Matriculada num curso supletivo conheceu muitos rapazes e esses rapazes se interessaram por ela.O primeiro, foi Hercílio, trabalhador da construção civil.Mataram aula, tomaram cervejas no bar da esquina da escola noturna.Por nunca ter bebido Jussara ficou logo bêbada.O rapaz reparando que ela estava “tonta” a convenceu a ir ao seu apartamento, duas quadras dali só.Na verdade era uma república daqueles que trabalhavam na construção de um prédio.Hercílio foi cuidadoso com ela, não deixou ninguém se aproximar, trancou a porta para ter privacidade.
Ele mesmo nem reparou que ela era virgem, depois de alguns beijos a penetrou, mesmo sendo homem bruto, foi com carinho, porque ela era “branquinha” e isso pra ele inspirava cuidados.Quase não saiu sangue.Jussara mesmo “tonta” sabia exatamente o que estava fazendo.E gostou muito.Tanto que depois conheceu Gilson.Com ele foi num domingo, dia de sua folga.Estudaram nos banquinhos para uma prova de matemática.Mas as pernas de Jussara foram enlouquecendo aquele homem, que mesmo sendo casado, transou com ela atrás das árvores o lá no Parque do Carmo.Depois foi a vez do Wellington, moço tímido, mas que foi seduzido por ela.Welligton era ajudante de jardineiro do prédio onde Jussara morava como babá.Enquanto levava os gêmeos para brincar no playground, ficava paquerando o rapaz.Um dia enquanto Murilo e Mauro corriam no gramado resolveu se aproximar e puxar papo.Mesmo tímido o rapaz retribui.Dia após dia, ela com a calma de uma raposa, foi se aproximando do cara.Até que veio umas férias dos gêmeos.Naquele final de ano o arquiteto e a psicóloga iriam levar a família toda para passar o natal e o ano novo em Nova Iorque. Então deram férias para todos empregados, sua tia Maria e ela podiam viajar para Monte Carmelo e passar as festas com a família.Mas Jussara não quis, preferiu ficar em São Paulo mesmo, “fazer o quê lá naquele fim de mundo”, pensou.A verdade é que queria mesmo Wellington.
Sozinha naquele imenso apartamento que mais se parecia um palacete, conseguiu atrair o rapaz para lá. Passariam a noite de natal juntos. Ele subiu pelas escadas até o décimo - oitavo andar, por causa das câmeras nos elevadores. Jussara vestiu as roupas da patroa, a psicóloga, seus brincos, seus colares, seu tamanco e um vestido de seda. Usou sua calcinha, seu sutiã, seu perfume, seu xampu e até seu esmalte. Transou com Wellington na mesma calma que a Psicóloga e o Arquiteto faziam amor e pediu que o ajudante de jardineiro usasse a mesma cueca e o mesmo roupão que seu patrão, o Arquiteto usava.

A casa de Maresias – Parte I


Saindo de São Paulo aquele trânsito infernal, parecia que a cidade inteirinha estava descendo para o litoral,“efeito manada” dizia o pai arquiteto.Na rodovia Ayrton Senna eles sempre paravam no mesmo posto.Abastecimento, banheiro e sanduíches era o script, a mãe psicóloga ia com as meninas Lorena e Clarice ao toalete feminino enquanto o pai levava os gêmeos, Mauro e Murilo, para fazer xixi.Lorena com seus treze anos e Clarice já com dezesseis.Viajavam na confortável camionete do pai, cabine dupla, espaçosa, abrigava todo mundo com sobras, ar condicionado e bancos de couro.Além dos filhos a babá Jussara também estava com eles.
Na rodovia dos Tamoios os quatro ficavam nas janelas olhando o mar lá embaixo enquanto o pai ia contornando a serra do mar.A mãe, um pouco alheia, lia um livro.A relação do casal era razoável, já tinham passado por muitas crises, mas o casamento sobreviveu em grande parte, é verdade, por causa das crianças e pelo patrimônio.E também por ela ser psicóloga e  ter aprendido a se resignar, a renunciar um pouco as frescuras.Aprendeu com a mãe, filha de italianos, que “mulher ás vezes tem que ser surda e só abrir a boca se for para dizer coisas sábias”.Ela não era tão Amélia assim, mas tentava.Já ele era durão, mas tentava ser sensível.
As férias na praia para aquela família paulistana era um grande evento que marcaria para sempre a vida dos seis. Ficavam sempre numa casa que tinha sido dos pais dele, o arquiteto. Aliás, o arquiteto era filho de um arquiteto também, por isso a casa era toda planejada, um sobrado angular, cheio de vidros nas arandelas e amplas varandas. Na praia de Maresias essa foi uma das primeiras mansões construídas ainda nos anos 70. A casa foi sendo reformada ao longo dos anos, mas guardava ainda em seus corredores, varandas e amplos quartos, velhas histórias. O arquiteto passou muitos verões com os amigos da faculdade lá. Deu muitas festas, experimentou drogas e sua iniciação sexual foi no quintal dos fundos com uma moça chamada Flávia.
Os gêmeos vieram depois que a psicóloga tentou engravidar várias vezes, foram concebidos por fertilização assistida. A primeira filha não, Clarice foi um susto, ela engravidou naquela mesma casa, dezesseis verões passados, não estava tomando remédios e por terem bebido demais esqueceram do preservativo. O resultado foi que ela engravidou aos vinte e dois, sorte que já tinha terminado a faculdade e ele também. Os pais dos dois, chocados, então apressaram o casamento. Casaram rápido, menos de seis meses depois. A festa foi na casa de Maresias, recepção para 120 convidados. Já Lorena nasceu quando eles ainda se amavam, também concedida no quarto da esquerda da casa de Maresias.
É nessa praia que muitas experiências importantes acontecem pela primeira vez: beijos, paixões, traições, drogas, baladas, bebedeiras. Clarice beijou pela primeira vez João na boate, tinha só 12 anos. Murilo quebrou o dedinho do pé após topar na pedra mineira da piscina. Lorena menstruou pela primeira vez aos doze anos quando se preparava para ir para a praia.Mauro deu seus primeiros passos na varanda.A mãe, a psicóloga, certa vez veio sozinha de férias fora da temporada, em setembro, para a casa.Em crise no casamento, acabou se envolvendo com um empresário.Saíram para jantar algumas vezes, mas ela não teve coragem de ir pra cama com ele.Ficou arrependida, chorou muito olhando para ondas brancas.Só a casa é testemunha de seu segredo.Ela beijou o empresário na boca muitas vezes, em uma semana que estiveram envolvidos ela chegou a pensar que o amava.
Nesses dias de férias em que a família acaba passando mais tempo juntos é que os conflitos ficam mais nítidos, coisas que não aparecem na rotina deles do dia-a-dia do apartamento nas Perdizes. As meninas vivem brigando, parecem que competem, os gêmeos não param quietos, aprontam o tempo todo, davam muito trabalho para a babá Jussara.A babá com seus dezoito anos andava dando mole pro motorista de uma mansão ao lado.Seu quarto ficava na ala externa da casa e isso lhe dava uma certa liberdade.De noite depois que fazia os gêmeos dormir, sai de fininho e ia conversar com ele.Não demorou muito já estavam transando no quartinho de madrugada, todas as noites.